Sobre cornetas, amendoins, críticas, críticas aos críticos…

Confesso que me reconheci em um texto. Eu mesmo, aquele que invariavelmente está nas arquibancadas do Palestra para incentivar o time, mas que – ao final dos 90 minutos – caso as coisas não saiam minimamente como eu esperava não me furto a criticar seja quem for, ídolo ou não, desde que o cara (ou os caras) não cumpra com aquilo que considero o mínimo para um jogador de futebol e, principalmente, para um jogador de futebol que atue pelo meu time do coração: dedicação.

Sim, meus caros, gosto de futebol ‘bem jogado’, pois sou torcedor do Palmeiras, não de um outro time por aí. Meu time teve algumas academias, gosto de ganhar, mas – acima de tudo – jogando bonito. Raça, somente nos momentos em que ela é exigida e daqueles em que a técnica não é o forte, afinal, times são feitos de craques e alguns ‘carregadores de piano’. Dos craques espero que decidam jogos. Já dos ‘carregadores de piano’ espero transpiração. Isso não quer dizer que craques não precisem suar a camisa, perseguir um adversário e roubar uma bola, de vez em quando dar um carrinho…

Mas, porque escrevo isso? Como eu disse me identifiquei com um texto. Ele está lá no Blog xará (Forza Palestra, do Barneschi) e está dando ‘pano pra manga’, ou seja, está dando uma boa discussão.

Pedi autorização para o Barneschi e vou reproduzi-lo aqui, na íntegra, para que possamos, quem sabe, abrir um bom debate sobre aquilo (ou aqueles) que se convenciou a chamar (entre os torcedores do Palmeiras) de corneta.

Como eu disse, se o cara não se entrega (que é o mínimo exigido), se o técnico não consegue dar um padrão de jogo (mínimo que seja) o time, se um lateral não consegue acertar um cruzamento sequer, se um ídolo não decide um único jogo em uma temporada, se um volante não sua uma gota para fazer com que o time vença uma partida, eu não me furto em criticá-lo. Então, neste caso, farei o quê? Voltarei para casa como se nada tivesse de errado? Pago o ingresso (caro por sinal) e deixo tudo como está?

Se ser corneta é criticar o time (neste caso jogadores, comissão técnica, diretoria…) quando ele(s) merece(m) podem me rotular disso. Apenas não poderei ser tachado de omisso.

Ano passado ganhei esse apelido de alguns amigos de arquibancada (de forma carinhosa tenho que acrescentar). Não dei trégua ao trabalho do Caio Junior. Se eu tinha razão o tempo demonstrou e vem demonstrando, o que importa é que com a saída dele melhoramos, mas parece que a coisa anda regredindo. Então, meus caros, podem ter certeza que ao primeiro sinal de acomodação, ‘trairagem’ com o Palmeiras e sua torcida e/ou falta de entrega, lá estarei eu, ao final dos noventa para cobrar a ‘boleirada’.

Fooooooom!

Eis o texto do Barneschi:

CORNETAS: RELATIVIZAÇÃO NECESSÁRIA

Convencionou-se chamar de corneteiro aquele sujeito que fica na numerada e passa o jogo a xingar o técnico e os jogadores. É um tipo de torcedor (?) que só atrapalha, e Luiz Felipe Scolari foi sábio ao inventar o apelido Turma do Amendoim, lá pelos idos de 1999/2000. Dizia Felipão que o povo da numerada coberta passava o jogo comendo amendoim e xingando. O nome ganhou força, mas com conotação pejorativa: ‘amendoim’ passou a ser uma designação comum a todos aqueles que criticam o time na hora errada. Desde então, a situação até que melhorou, em parte porque esse tipo de torcedor (?) passou a ser visto com desconfiança e até de maneira pouco amigável pelo resto da torcida.

Feito o intróito, sinto-me na obrigação de relativizar o uso que se faz hoje da palavra corneteiro. Fato é que me incomoda bastante a postura de uma parte da torcida (isso inclui amigos meus) que parece querer blindar os atletas, um em especial, como se eles estivessem imunes a críticas. E aí basta um comentário menos elogioso para que você logo seja chamado de corneteiro.

Eu vejo de outra forma: uma das funções do torcedor é apoiar o time, e isso deve acontecer durante os 90 minutos. Depois disso, no entanto, a cobrança pode – e deve – existir. E é natural que seja feito pelo torcedor, que tem o direito de fiscalizar e exigir que os jogadores façam o melhor pelo time. Há casos e casos, e é sempre preciso ter um pouco de precaução, mas não se pode execrar um torcedor apenas porque ele tem um perfil, digamos, mais questionador.

A situação é bem simples: jogador de futebol não adora dizer que é profissional? Ok, tudo certo. Já que é assim, deve ser tratado como profissional. Sim, tem direito a ouvir propostas de outros clubes e até de buscar novas oportunidades quando julgar conveniente. Nada a contestar. Mas a recíproca também é verdadeira. Se você, na condição de profissional, é cobrado pelo seu chefe quando seu rendimento cai, é justo que o mesmo aconteça com o jogador de futebol. Aos direitos adquiridos correspondem também os deveres pertinentes.

Estou cansado de patrulha. Estou cansado de ver nego passar a mão na cabeça de jogador. Estou cansado de jogador pedir para ser tratado como profissional, mas só na hora de buscar um contrato melhor. E estou cansado de qualquer um ser chamado de corneteiro apenas e tão somente por fazer críticas que me parecem necessárias.

O Palmeiras está acima de qualquer um!

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Uma resposta to “Sobre cornetas, amendoins, críticas, críticas aos críticos…”

  1. Forza Palestra Says:

    Caro,Obrigado pela referência e por acrescentar tudo isso ao tema. Concordo com você, mas entendo que o mais importante é discutir o assunto e parar com as generalizações. Estamos no caminho.Até quinta, no mesmo lugar.Abraços

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