Balanço do Primeiro Turno – 2a. parte

Conforme o prometido na postagem de ontem, vamos continuar com a análise de como se portou nossa diretoria em relação ao seu torcedor. Mas, antes vamos recapitular.

Nossos dirigentes, por motivos de ordem financeira (cota de TV), de ordem de subserviência à CBF, ou qualquer outro que não seja o único que os deveria mover – a saber: zelar pelo seu maior patrimônio, ou seja, sua torcida – nos fez o favor de aceitar uma tabela que nos privou (torcedores) de jogos no dia e no horário ‘sagradamente’ dedicados a eles, o domingo às 16h00. Isso mostrei ontem.

Pois bem, falemos hoje de um outro componente que mostra como nossa diretoria está pouco interessada em zelar por esse patrimônio (sua torcida): o preço dos ingressos (que aliás, está diretamente relacionado com a postagem de ontem, pois um maior público freqüentaria o Palestra no domingo às 16h00 e com isso o preço poderia ser menor e, ainda assim, os valores arrecadados seriam muito próximos).

Mas, vamos comparar os valores médios arrecadados, os preços médios praticados e a média de público presentes nos jogos de todas as equipes da série A do atual certame brasileiro. Para isso, vejam a tabela abaixo, depois faço meus comentários.

Pois bem, vejam que apesar de sermos – dos quatro (04) líderes – o único que mandou apenas nove (9) jogos em casa, temos uma arrecadação média maior que dois deles (SPFW e Cruzeiro), mas no quesito público médio somente somos maiores que o time Leonor (isso por motivos óbvios).

O fato de nossa arrecadação média ser maior que a do Cruzeiro, por exemplo, que tem um público médio de 5.139 torcedores a mais que o nosso, se deve a um único fato: o preço dos ingressos que pagamos é infinitamente superior ao pago pela torcida mineira. Os valores estão aí e não me deixam mentir, pois enquanto em nossos jogos o preço médio praticado nos ingressos é de R$ 27,71, nos jogos do Cruzeiro seus torcedores desembolsam – em média – R$ 15,74. Ou seja, pagamos por volta de 58% a mais em nossos ingressos que os torcedores de lá. É ou não é um fator que acaba – junto com os dias e horários impróprios – afastando nossa torcida do Palestra?

Acompanhem comigo um pequeno exercício: Peguem os valores médios de comparecimento de Grêmio e Cruzeiro e façam uma média: 24.614 pagantes por jogos. Agora peguem os preços médios dos ingressos das duas equipes, somem e dividam por dois: R$ 17,23 (cerca de 62% mais barato que os praticados pelo Palmeiras). Agora multipliquem o público pelo valor praticado: R$ 424.081,68 arrecadados por jogo em média.

Viram? O Palmeiras arrecadaria perto do que tem arrecadado em seus jogos (até um pouco mais), mas nosso estádio teria seu público aumentado em aproximadamente 60%. Ou alguém duvida que em dias, horários, e com preços manos salgados, nossa torcida não conseguiria comparecer em uma média de 24 mil torcedores por jogo em nossa casa?

É ou não um divórcio entre diretoria e torcida? É ou não é uma forma de nos afastar do estádio? É ou não um processo de elitização de nossa torcida, como aquela preconizada pelo senhor Gualtieri?

Não sei se isso é de caso pensado ou apenas falta de visão empresarial, pois no futebol – queiram ou não – não bastam ações de marketing (os números do time do Jardim Leonor estão na tabela e não me deixa mentir) para arregimentar torcedores, nem ‘qualificar’ o torcedor, nem transformá-lo simplismente em consumidor, o importante é o investimento na paixão do torcedor (o maior patrimônio de um clube), o importante é cativar esse torcedor, e nada melhor para isso que aproximar a torcida do time.

Mas, para que isso aconteça o torcedor tem que tomar parte do espetáculo, como sempre fez – desde os primórdios do ‘esporte bretão’ no Brasil, precisa se fazer presente nos jogos de sua equipe. Entretanto, caso essa separação entre torcida e instituição se efetive, caso a elitização seja realmente um processo em curso, o futebol estará condenado ao desaparecimento, mas – para minha tristeza, de minhas filhas e de meus netos (que virão) – quem primeiro desaparecerá será o Palmeiras, pois – tenho certeza – ele não sobrevive sem a sua ainda gigante e apaixonada torcida.

Abram os olhos enquanto é tempo senhores diretores, pois enquanto estivermos por aqui para protestar contra esse estado de coisas o futebol e o Palmeiras ainda sobreviverão; mas quando sua torcida (da qual nos orgulhamos pertencer) deixar de protestar, e se calar, é porque ela não mais existe. Aí, senhores diretores, o silêncio será ensurdecedor, seja no Palestra, na arena ou nas ruas. Aí será o fim de um grande amor, pois amor exige cumplicidade, de ambas as partes.

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