Palestra, 94

Postado às 12H47, por Mauro Beting em: Blag do Mauro

Não é um texto novo. Não está à altura do homenageado. Mas como estar à altura do aniversariante? Como definir o que é o amor?

Não vou usar aquelas imagens que não sei descrever de um pôr-do-sol ao lado da pessoa amada, de uma lua cheia com a namorada, de uma tarde no parque com os filhos.

Mas posso lembrar de um fim de tarde no Palestra, quando ganhamos do Taquaritinga por 5 a 1, em 1983, e mal vi o último gol porque o Sol não deixava ninguém ver na arquibancada.

Posso falar da lua de 12 de junho de 1993, Dia dos Namorados. Posso recordar da primeira tarde no Palestra Itália com os meus filhos. Posso falar qualquer coisa, que qualquer coisa fala de Palmeiras para mim.

Mas não posso escrever qualquer coisa para o Palmeiras, que qualquer coisa não é o Palmeiras.

Palmeiras é o meu primeiro amor. A família a gente nasce amando, a mulher e os filhos a gente cresce amando, os amigos a gente escolhe. Mas o Palmeiras nos escolhe e nos acolhe.

O Palmeiras é companheiro, nos faz cúmplices, nos junta e nos une. Você não me conhece. Eu não te conheço. Mas nós conhecemos o Palmeiras. Nós somos palmeirenses. Estamos apresentados, representados.

Não precisamos lembrar que somos “campeões do século 20” (pelos rankings da Federação Paulista, jornais “O Estado de S.Paulo” e “Folha de S.Paulo”, e pela revista “Placar”) – ops, fomos cabotinos, perdão. Não precisamos cantar vitória e contar canecos. Precisamos apenas encher o peito e vestir verde.

Não somos mais. Não somos menos. Somos Palmeiras. Basta.

Viu? Falei e escrevi e ainda não disse nada. Falar de tudo que é o Palmeiras é ainda dizer nada a respeito de tudo.

Poderia escrever Ademir da Guia e bastaria.

Ministrinho, Heitor, Junqueira, Romeu Pellicciari, Waldemar Fiume, Oberdan, Villadoniga, Jair Rosa Pinto, Mazola, Julinho Botelho, Djalma Santos, Valdir de Moraes, Geraldo Scotto, Dudu, César, Leão, Luís Pereira, Leivinha, Jorginho Putinatti, Vagner Bacharel, César Sampaio, Evair, Zinho, Edmundo, Rivaldo, Marcos, Roberto Carlos, Antonio Carlos, Alex, Vagner Love, Valdivia.

Tantos nomes que esqueci, tantos nomes que não citei. E, mais que todos, mais que tudo, você. Eu. Nós.

Porque o Palmeiras é dos palmeirenses.

Dos torcedores, mais que dos sócios, dos cartolas, dos chefões. Da oposição que não se opõe à situação, mas ao Palmeiras. Também por se opor à nova Arena em questões que o mesmo grupo havia apoiado quando (des)mandava no clube.

Mas não é tempo para esse tópico fundamental para o futuro do tamanho do presente que é o Palmeiras para os palestrinos.

Vou parar por aqui, sem dizer coisa com coisa. Mas não fico triste, não. Nem um Ademir da Guia das palavras conseguiria dizer ao Palmeiras o que o Palmeiras nos diz.

Parabéns pelos 94 anos de vida, Palestra.

Obrigado pelos meus 41 anos de Palmeiras.

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2 Respostas to “Palestra, 94”

  1. Forza Palestra Says:

    Ademir, meu caro,Eis que compartilhamos o mesmo nome de blog e hoje, em um dia tão especial, trazemos também um post quase idêntico. Impressionante, mas eu garanto que escrevi sem olhar nenhum outro blog, mesmo porque o trabalho não permitia.Abraços

  2. Catedraldeluz Says:

    Castellari:Simplesmente sublime, o texto de Mauro Beting. Expressa a pureza de ser palmeirense.”Construir para poder conquistar! Acreditar sempre!”

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