Virtudes pagas, muito bem pagas

O Palmeiras ganhou. Ganhou de pouco -1×0 -, não marcou – o gol foi contra -, mas segue líder, mais líder do que nunca. Aliás, nenhum líder nos tempos dos pontos corridos tinha a essa altura do campeonato tantos pontos acumulados.

Devemos festejar. Ter os pés no chão, mas acreditar desacreditando, pois não sabemos o que nos espera na tal janela de transferência. Não sabemos se nossa diretoria saberá se impor á nossa ‘parceira’ e dizer: ‘não, vocês não vão vender ninguém, pois com o time valorizado por um título todos ganhamos’: ganham vocês, nós e a nossa torcida.

Mas, hoje, apesar da liderança e da vitória quero escrever sobre outro assunto. Quero falar sobre a qualidade do campeonato nacional.

Ele não é o melhor do mundo; nem o pior. É apenas o reflexo dos tempos onde o preparo físico superou a arte, onde o esporte suplantou o jogo.

O futebol, ao contrário de outros esportes – nem vou me alongar e citar os exemplos aqui – é diferente. É um jogo, comparo com o beisebol, onde a parte física nunca – repito, nunca – foi preponderante, o importante sempre foi o talento, a aptidão, o tal do ‘dom’ para o jogo.

Em um determinado momento veio a tal fase do ‘profissionalismo’. Tudo em nome da vitória. Incessantes jornadas de treinamentos físicos, para que robôs – incansavelmente treinados e sincronizados – repetissem movimentos que levariam, invariavelmente, às vitórias.

Essas histórias todos conhecem e sabem como começou e quais são os seus desdobramentos.

Acontece que existem os críticos disso. Somos nós, que adoramos futebol de verdade, com craques, com dribles, com improvisações; são também os ‘saudosistas’ que reclamam da qualidade do ‘espetáculo’, que dizem que o futebol já não é como foi antigamente.

Entretanto, esses últimos criticam apenas o campeonato nacional. Por aqui é tudo ruim. Os jogadores são ruins, os espetáculos são ruins, os times são ruins. O PVC chama o nacional de ‘o melhor pior campeonato do mundo’.

Para esses o bom mesmo são os jogadores que atuam na Europa, os jogos da Europa, os times da Europa. Tendo a concordar, principalmente quando assisto a uma final de Copa dos Campeões entre Manchester X Liverpool, por exemplo. Mas, e o resto? E um Bolton X West Ham? E um Rubin Kasan X CSKA?

Se prestarmos atenção esses jogos não diferem em nada de um Sport X Náutico, de um Avaí X Barueri. Quando há um Palmeiras X Corinthians, um Flamengo X Fluminense, para ficar no exemplo dois maiores clássicos do futebol brasileiro, nada devemos em raça, emoção e técnica aos maiores jogos de lá. A diferença é que lá a imprensa, o jornalismo esportivo, valoriza o produto nacional. Aqui, por deslumbramento ou por força de contratos, as emissoras de TV a cabo – ano que vem a maior aberta também – transmitem os certames Europeus e por força da audiência e dos seus salários, tendem a valorizar o que garante o seu ganha-pão.
Quando amanhã ou segunda, nos tais ‘futebol e debate’, você ouvir uma crítica à qualidade técnica de nosso certame nacional lembre-se de ponderar. Pode ser verdade que por aqui a coisa não é o ‘supra-sumo’, que nossos jogos podem não ser, do ponto de vista técnico, nada de outro mundo, mas – com certeza – serão melhores que um Rubin Kasan X CSKA, que eles nos empurram goela abaixo como sendo o melhor futebol do mundo.

Ou você já ouviu o PVC ou o Calazans, só para ficar em dois exemplos de críticos da qualidade do futebol nacional, criticar a qualidade do campeonato Russo? Claro que não. Afinal, a sua audiência, ‘bombada’ por elogios a atuação de robôs – que não diferem dos de aqui – é que paga o salários deles.

A diferença é que aqui, entra ano sai ano, exportamos os poucos que ainda fazem frente à mecanização do futebol para lá – para a Rússia, para a Espanha, para a Inglaterra…

O que eles não enxergam, aliás, enxergam, mas fazem ouvidos moucos para isso, é que isso – a crítica ao de cá, para privilegiar os de lá – constitui um crime contra nosso futebol, mais que aquele cometido por aqueles que eles elegem como os vilões: os dirigentes esportivos.

Eu, de minha parte – aliás, prefiro um Portuguesa X Bahia pela segunda divisão, do que dar audiência para equipes que nada representam para o Brasil. Muito menos dou audiência para jogos e emissoras que contribuem para enriquecer os que empobrecem o futebol nacional.

Foi só um desabafo. Cansei de ouvir críticos de ocasião, aqueles que só veem defeitos por aqui e virtudes lá fora. Virtudes, aliás, muito bem pagas!

___________
sem revisão

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