Caro Professor Beluzzo

Havia eu resolvido não me manifestar sobre os oito (08) pontos perdidos, de nove disputados, que nos dariam sem sombra de dúvidas o título antecipado do certame em disputa. Havia decidido que era hora de continuar apoiando, independente daquilo que as aparências – e algumas informações – nos apresentavam. Havia – como já fiz em outras oportunidades – resolvido me calar, pelo meu bem, pelo bem de nossa torcida, mas principalmente, pelo bem do Palmeiras, aliás, o objetivo maior – aquele que move esse espaço.

Mas, os últimos acontecimentos pedem um posicionamento. Vamos a eles, seus desdobramentos e aos lamentos.

Analisando tabela, classificação e resultados, a derrota de domingo não foi de toda desastrosa, afinal perder para o Flamengo – por mais rivalidade que tenhamos, e principalmente por ela – é um resultado comum. No futebol se vence, se empate ou se perde. Contra grandes, como é o caso do Flamengo, uma derrota mesmo em casa é ‘normal’. O fato é que ela veio de maneira inexplicável, sem entrega, sem luta, com acomodação. Parecíamos um pequeno perdendo para um gigante. Some-se a isso o fato de termos empatado em casa contra o ‘gigante’ Avai e perdido para o rebaixado Náutico e pronto, bastou para alguns, os menos conformados, procurarem as razões para isso.

A busca por essas razões fez com que alguns fossem buscar suas fontes e ‘descobrissem’ problemas internos. Elenco rachado, falta de acerto na premiação, ‘baladas’… Não se sabe se os resultados da busca são a realidade dos fatos, mas o que isso importa?! Nada diferente do que aconteceria com a ‘grande mídia’, aquela que nos fustiga e que inspirou o nascimento de muitos de nossos espaços (para o contraditarmos nesse caso), mas que é tratada com deferência e petit-four nas dependências Palestrinas.

Não podemos nos esquecer o fato de haver uma ‘singela’ diferença entre a notícia sobre a possível falta de um acerto de premiação dada pela grande imprensa e a dada por um blogueiro Palmeirense. Para ser direto, sem rodeios, a diferença consiste que a dada por um blogueiro Palmeirense (Palestrino) é, sem sombra de dúvidas, na busca de chamar a atenção para um fato que poderá atrapalhar a caminhada para alcançarmos o objetivo que nos move; sendo mais direto ainda, tenta essa impedir que fatores extra campo atrapalhem a busca por um momento de êxtase, aquele do título, da conquista e da glória, advinda de um simples e sincero desejo de sermos novamente – ora veja – campeões nacionais.

Quem enxerga outro objetivo para além desse deve se tratar. Quem deseja cercear isso deve, imediatamente, ser afastado de suas funções no clube que tanto amamos.

É disso que quero falar; e falo diretamente a uma pessoa, aliás, nem sei se essa pessoa sabe que estão sujando sua biografia. Falo para o presidente do Palmeiras, falo para o economista, para o lutador pelos direitos individuais e pela democracia, Luiz Gonzaga de Mello Beluzzo. Em seu nome, ou contra o seu nome, estão cerceando, censurando, intimidando…

Presidente, ontem, esses que hoje estão sendo censurados, intimidados, lutaram por vossa eleição a frente dos destinos do Palmeiras justamente para acabar com práticas que hoje lhes estão sendo impostas.

Alguns desses não lhes cortejam, às vezes lhes são até antipáticos e desrespeitosos, mas jamais esperavam que vossos seguidores os fustigassem e perseguissem por pensarem diferente.

A história é pródiga em exemplos desse tipo. Revolucionar as revoluções é o que de mais difícil existe em processos desse tipo, sei que conhece o ‘Sobre as Revoluções’ da pensadora Hannah Arendt; lá ela nos diz que justamente esse – o momento do passo adiante – é o mais difícil a ser dado e que a massa ‘cega’ é o que joga tudo a perder.

Por isso, escrevo essas mal traçadas linhas justamente direcionadas a quem sei que pode dar um basta nisso, a quem pode frear o renascimento do terror, que pode dar um basta nessa sanha por pensamentos únicos e revanchistas.

Professor, o senhor sabe, mais do que ninguém, que são nas críticas, mesmo que as vezes sejam virulentas e até aparentem ser desproporcionais, que está o maná da democracia. São os críticos, na maioria das vezes, que nos fazem enxergar onde estão nossos pequenos (e até os grandes) erros; aqueles que nos cercam, nos elogiam, nos cegam, propõem cortes de cabeças (guilhotinam), invariavelmente, amanhã serão os que nos decapitarão…

Professor Beluzzo, não deixe que a nossa maior luta: o fim das trevas no Palmeiras, retorne como farsa, senão – sem dúvida nenhuma – ela se transformará em tragédia. Se isso acontecer a história não o absolverá, tenha certeza disso.

Forza Palestra!

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Modificado em alguns trechos

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5 Respostas to “Caro Professor Beluzzo”

  1. fran Says:

    Parabéns, gostei demais!!!!

  2. Binóculo Verde Says:

    Ótimo texto Ademir!Te linkei, pois para este momento, tornou-se uma leitura obrigatória.

  3. Carlos Roberto Says:

    Bravíssimo!Parabéns!abçCarlinhos

  4. palestraimortal Says:

    Ademir, como sempre uma opinião serena e contundente.Leitura obrigatória pra todo palestrino que anseia por palavras sóbrias e de rara inteligencia.Abraço!

  5. Lóh Says:

    Mesmo com um textp respeitoso, vc não faz parte do seleto hall dos 'confiáveis' [ironic mode on] rs…Bom saber que há quem abre nossos olhos!

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