Do que são feitos os homens…

Eu sou contra

Tenho 43 anos de idade. Boa parte deles acompanhando futebol. Sou do tempo em que o futebol era decidido – pelo menos eu acreditava nisso – dentro das quatro linhas. Gol marcado e validado pelo árbitro era gol. Impedimento marcado e que anulava um gol era impedimento. Jogador expulso era suspenso, cartão amarelo era amarelo e vermelho era vermelho. Não havia o ‘malfadado’ tribunal e os vídeos-tapes para condenar, absolver ou mudar resultado de campeonatos.

Veio então a era dos tribunais. Agora é um tal de condenar por falta que o juiz não viu ou que viu e achou normal; tribunal refaz jogos já com resultados sacramentados diuturnamente.

Para mim isso tudo soa muito estranho. Volto a repetir o que disse aqui por diversas vezes: para mim o que acontece no campo de jogo, nos noventa minutos, seja vitória, empate ou derrota de meu time, é o que vale. Se o Simon anulou o gol do Palmeiras contra o Fluminense de forma equivocada – ou mesmo se ele estava na ‘gaveta’, como eu acredito – o resultado tem que ser mantido. Podemos espernear, xingar, processá-lo, até lhe dar uns ‘sopapos pedagógicos’, mas o resultado do campo de jogo é sagrado. Como no bicho: vale o que está escrito.

Por isso, digo – mesmo sob pena de alguns Palmeirenses me criticarem: sou contra anularem o jogo Palmeiras x Sport e marcarem um outro jogo.

Entretanto, há um fato objetivo a ser analisado. Existe a possibilidade da anulação da partida; basta para isso – segundo um dos ‘vagabundos’ do tribunal – que o Sport peça, pois houve um erro de direito, aquele que acontece quando o árbitro por infringir (ou desconhecer) uma das 17 regras do jogo traz prejuízo a uma das equipes. Foi o que supostamente ocorreu ontem. Segundo as informações, e especulações, o juiz da partida entre Palmeiras x Sport ‘apitou’ parando um lance, pois via impedimento na jogada. Quando a defesa parou e Danilo continuou marcando o gol o bandeirinha correu em direção ao centro do gramado o confirmando, pois o impedimento não havia acontecido. Então, o árbitro voltou atrás e confirmou o gol, prejudicando o time do Sport, que havia parado no lance ao ouvir o apito do ‘assoprador’.

Então, vamos entender – segundo a humilde opinião desse blogueiro – o porquê do ocorrido e o que pode acontecer.

Beluzzo e os vigaristas

Quando o presidente Beluzzo lançou sua ira contra o Simon chamando-o de vigarista, ladrão e ‘juiz de esquema’, o que poucos atentaram é que o presidente do Palmeiras estava fazendo mais do que ‘acusar’ um árbitro. Ele mostrou com sua atitude o ‘descontentamento pela maneira com que comporta a maioria nesse meio que teimamos em acompanhar e irracionaliza, talvez por uma paixão cega, surda e muda, e que não cansa de nos escancarar suas entranhas. O que o professor Beluzzo fez, mostrando inclusive como se comportam os ‘doutos’ julgadores do STJD, é que o meio é composto de gente com o rabo preso, gente corrupta, comprometida com esquemas de favores, com paixões clubísticas, com esquemas de corrupção. Por isso, se calaram. Por isso, ontem, o árbitro entrou pressionado no Palestra. O pobre diabo conseguiu – em um único lance – não beneficiar ninguém e prejudicar todo mundo; inclusive ele.

Creio eu que isso é um reflexo de como é o caráter da gente que dirige o futebol brasileiro, mas, principalmente, como as coisa funcionam por aqui. O pobre diabo deve ter recebido a orientação – não tenho como provar isso, mas desconfio que foi dessa maneira – de que o Palmeiras não deveria ser prejudicado de forma alguma na contenda no Palestra Itália, afinal o ‘serviço’ já havia sido feito no domingo, lá no Maracanã, e a repercussão não foi das melhores. Inclusive um renomado economista, por coincidência presidente do Palmeiras, Homem que não é do esquema, resolveu soltar o verbo e mostrar como as coisas funcionam. O(s) esquema(s) estaria(m), estava(m) e está(ão), ameaçado(s).

Além disso, um novo erro, com o clima que se criou, poderia causar uma catástrofe. Então, tome medo de errar; e todos sabemos que a pressão faz com que as decisões sejam tomadas no atropelo. Dessa forma, quando viu Danilo adiantado o pobre (Diabo) se precipitou e apitou o impedimento, mas ao olhar para o lado viu o assistente correndo para o meio campo e, incontinente – lembrando que não poderia prejudicar o Palmeiras, que o Palmeiras já havia sido ‘operado’ no domingo, que por isso a sua integridade poderia estaria ameaçada, que havia sido orientado para ‘abafar o caso’ do jogo da rodada anterior – voltou atrás e confirmou o gol. O restante da história todos sabemos como foi.

É ou não um bando de vigaristas essa gente? CBF, STJD, Comissão de arbitragem, times que se propõe a entrar em esquemas e frustram a paixão de milhares de pessoas que como eu – inclusive disserto sobre futebol na academia – acompanham o ‘esporte das multidões’.

Os sem caráter

Chegamos ao último elo dessa corrente. Se temos os vigarista, se temos o intelectual/presidente que resolveu peitar essa gente, há também aqueles que nada – nesse momento – teriam a ver com isso, mas que foram prejudicados. Por exemplo, o time do Sport.

Ouso a dizer que o Sport, seguindo o pensamento do ressentido Guilherme Beltrão (vice-presidente afastado), não pedirá a anulação do jogo. Se conformará em ser prejudicado (mais uma vez), alegará que com os ‘pobres coitados’ do nordeste sempre funciona assim e não buscará, mesmo que eu ache que isso não devesse funcionar dessa maneira, seus direitos (lembrem-se que há a possibilidade de um tribunal anular uma partida se o erro for de direito, mesmo eu achando isso um absurdo).

O Raphael, do Cruz de Savóia, escreveu em seu blogue que um amigo ouviu os ‘atletas’ do Sport entrando aos gritos de “são-paulo, são-paulo, são-paulo…” nos vestiários após o final do jogo de ontem. Não sei se por uma rivalidade que não existe, não existiu e nunca existirá, entre Sport e Palmeiras (o tamanho dos dois clubes não permite isso), não sei se por uma rivalidade criada pelo imbecil do Beltrão, pela raiva de momento ou por saber que a derrocada da equipe foi exatamente por terem sido eliminados pelo Palmeiras na Libertadores, mas, o que houve foi isso. Quem ouviu e relatou isso a ele fui eu. Eu estava no Palestra, depois do empate sai rapidamente e pude ouvir e presenciar isso.

Aí entra o caráter das pessoas. Se de um lado temos um presidente (Beluzzo) que por amor a sua equipe, por defender uma nação de 15 milhões de torcedores que depositaram esperanças em sua administração e que por acreditar na honestidade pôs em jogo sua reputação, seu cargo e sua história na berlinda (ele pode ser punido por falar a verdade); de outro lado, temos uma gente ressentida, que criou uma ilha da fantasia, que imaginou ser grande o suficiente para nos confrontar, mas que ao caírem na realidade viram que o castelo de cartas (ou de caras) desmoronou. Esses, tenho certeza, não buscarão o direito, não defenderão e não se esforçarão para defender sua torcida, pelo simples fato de que isso pode representar um alento para o Palmeiras, pois um novo jogo pode recolocar o ‘inimigo’ na briga pelo título.

Além disso, os gritos de são-paulo, são-paulo, são-paulo… ontem, nos vestiários do Sport, pode ser sinal que a tal mala-branca pode ter funcionado; ou – quem sabe – que aqueles pobres Diabos (torcedores do Sport) que discriminam seus conterrâneos nordestinos – com tratamentos pejorativos, chamando-os, por exemplo, de ‘Paraibas’ (como se isso fosse demérito) – para mostrar que o Pernambuco é a capital cultural e econômica do nordeste (mesmo que Salvador a seja), tenham que acordar. Pernambuco é lindo, São Paulo não os discriminam. Palmeiras, o gigante, torce para que um dia voltem, afinal, um final de semana em Boa Viagem, antes de um jogo, é impagável.

Não creio, aliás, duvido – repito, duvido – que o tribunal faça algo. A não ser que o recado – direto e não velado – do presidente Beluzzo tenha sido entendido, e que o medo tenha tomado conta dessa gente venal. Se for isso espero que o presidente continue em sua cruzada. Quero para as minhas filhas, e quiçá para meus netos e netas, um futebol e um mundo melhor.

No mais, espero que o resultado do jogo – como eu já disse – seja mantido. Além do mais, com esse ‘futebolzinho mixo’ que estamos jogando, a coisa pode piorar. Ou não é verdade?

Essa é a hora. Nesses momentos é que sabemos de que são feitos os Homens!

Aqui no Palmeiras temos Homens, Beluzzo que o diga. Nos demais…

Forza Palestra!

________________
Falta revisão

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2 Respostas to “Do que são feitos os homens…”

  1. Daniel Modernel Junqueira Says:

    Belissimo texto!!!Porém eu não me incomodo de gritar "É CAMPEÃO"seja por tapetão, seja por competência nossa, seja por incompetência dos outros!Perder 2 campeonatos seguidos dessa maneira chega ser revoltante pra mim!grande abraço

  2. sandro.cabral Says:

    Ademir, Belo texto. Para você que escreve sobre futebol entre no site http://www.revistaoes.ufba.br Há uma edição especial sobre futebol, organizações e sociedade, co-editada por esse palestrino que vos escreve.Abraço….Sandro Cabral

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