Encruzilhada

Não sou fã do estilo Muricy. Aquela coisa de time forte na marcação, meio campo povoado de volantes, bola para os laterais (alas) que cruzam, cruzam, cruzam… E só isso. Criatividade zero; jogo com um mínimo de beleza (não estou dizendo espetáculo) menos zero. Alguém se lembra de um time dos bambis treinado pelo Muricy – mesmo os campeões – que jogava um futebol vistoso? Não, somente futebol força, aquela porcaria européia de time competitivo que tentam nos empurra goela abaixo, aqui no Brasil, faz alguns anos.

Já disse para vários Palestrinos que se ele não mudasse esse estilo teria vida curta no Palmeiras. Entretanto, não dá para fazer omelete sem ovos. O elenco do Palmeiras é fraco. Temos apenas um grande jogador – Diego Souza. C. Xavier que em alguns jogos nos enche os olhos, em outros, quando mais se precisa dele, desaparece. Os outros são apenas de médios para baixo.

Mas, então, por que é que não temos mais jogadores de qualidade? Por que a diretoria do Palmeiras não contrata? Eis aí o X da questão. Para alguns é incompetência, para outros a falta de dinheiro, para outros ainda é problema da política interna.

Pois bem, li uma boa análise – vale ressaltar que é a análise do autor do Blogue – lá no Parmerista. Parece que o problema é de ‘filosofia’ de trabalho, mas que se desdobra na briga política interna do clube.

Pelo que parece o nosso treinador não aceita jogadores ‘meia boca’, e que não estejam dispostos a passar um tempo no Palestra, mesmo que isso signifique sofrimento a curto prazo e resultados só a médio e longo prazo. Assim, quem não tem esse perfil é descartado pelo treinador, e por isso as contratações são escassas, afinal jogadores que cheguem e vistam a camisa ou são escassos ou muito caro; ou ambas as alternativas juntas.

Já para o vice de futebol, Cipullo, as coisas têm que ser mais imediatas; ou seja, vale arriscar, abrir os cofres e contratar um Jumar, por exemplo, se isso significar que teremos no elenco uns dois ou três D. Souza. Isso faz (ou fazia) com que o Palmeiras fosse o paraíso dos empresários, até nas categorias de base. Não que Cipullo faça isso para obter vantagens, muito pelo contrário, é apenas uma forma de se enxergar o futebol e sua consequências.

Essa diferença de visão entre Muricy e Cipullo, por exemplo, seria o motivo para a parceira (Traffic) não mais ter investido no Palmeiras. Por isso, inclusive, Muricy tem o seu trabalho contestado pelo vice de futebol do Palmeiras. Por isso, a nau estar meio que a deriva.

Bem, eu de minha parte não sou masoquista. Gostaria muito que o Palmeiras se tornasse novamente um ganhador de títulos imediatamente. De outro lado, já disse que não gosto do estilo dos times do Muricy jogarem. Entretanto, não quero o Palmeiras eternamente dependente de parceiros ou empresários, quero o Palmeiras novamente donos de seus rumos, de sua categoria de base, de seus jogadores.

Além disso, há algum tempo lancei por aqui a campanha ‘fora Traffic’ que até um banner tinha no lado direito do Blogue, mas que para não tumultuar mais o ambiente já tumultuado, retirei. O que não quer dizer que quero que eles continuem a dar as cartas por aqui.

Então, se o preço a pagar por um Palmeiras dono de seu destino, livre de empresários e ‘parceiros’ que somente querem lucrar a curtíssimo prazo – Henrique é exemplo disso – é agüentar um pouco mais sem título, fico com o projeto do Muricy. Mesmo sabendo que noites como a de ontem se repetirão mais algumas vezes. Porém, que o treinador nos poupe de times recheados de volantes.

Sei que a situação do presidente Belluzo não é cômoda nessa briga. Vices-presidentes, na hierarquia política de clubes de futebol – no Palmeiras é assim, são cargos ocupados por pessoas que tem votos e ‘correligionários’ da política interna. A saída – ou demissão – de um vice-presidente pode custar caro, inclusive pode significar a volta dos ‘mortos-vivos’. Assim, não me surpreenderei se a opção for pelo do projeto do Cipullo, que talvez nos traga algum título, mas que a médio e longo prazo significa dependência total de parcerias e empresários.

Mas em que bela encruzilhada estamos metidos, não?

Forza Palestra!

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2 Respostas to “Encruzilhada”

  1. Gaetano Says:

    Não gosto do estilo Muricy.
    Lembremos que o tricampeonato dele foi conseguido no SP e este sempre jogou no limite, tendo sempre o fiel da balança tomado o rumo com o contrapeso de erros de arbitragem e artimanhas já muito conhecidas do outro lado do muro.

  2. André Says:

    Bom estamos em uma encruzilhada mesmo… mas concordo com vc… quero ver o palmeiras brilhando mas não dependendo de parceirias q levam todo o dinheiro embora e deixam o clube de mão abanando. mas uma coisa emos q ponderar… precisamos de mais contratações… robert ..esse cara não tem a mínima condição de jogar no palmeiras, assim como alguns outros tantos como “marquinhos’ q não sei onde está, jumar entre outros… Fora TRAFFIC, e pelo amor de Deus diretoria contrate atacantes, dessa maneira não conseguimos nada. Outro ponto a se pensar, é a falat de ousadia de nossos dirigentes. Olha os Gambás troxeram qm trouxerara, olha o santos com o robinho, porra o palmeiras não consegue tarzer ninguém e além disse parece q nosso marketing é fraco vamos investir nisso isso dá retorno, enfim se ficar escrevendo aqui vou passar dias desabafando. Força palestra!!!

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