Adeus Palestra

Como nas grandes despedidas estavam todos presentes. Estavam lá os amigos, os inimigos, os conhecidos, os desconhecidos. Como em todas as despedidas nada faltou. Se fizeram presentes a alegria, a tristeza; as lágrimas.

Estavam por lá os amigos de anos e os de meses; os das arquibancadas e os de freqüentar a mesma mesa do botequim. Estavam todos lá. Aqueles que no apito final se entreolham, sorriem ou lançam um olhar de desconfiança e se vão; ou aqueles que ficam para uma “saideira”, onde as mágoas e incertezas são expostas.

Estava lá o adversário. Não qualquer adversário, mas como que por um arranjo do destino o de sábado é daqueles que nos faz relembrar jornadas memoráveis, e outras nem tanto.

Estávamos todos lá, como sempre estivemos. Estávamos lá como que incorporados àquele concreto frio, mas que ao final de cada uma das jornadas memoráveis arde – como que em chamas – devido à presença de todos estes que sempre lá estiveram.

Estavam lá as onze camisas verdes. Para os que lá sempre estiveram – como sábado –  pouco importa quem as enverga, o que importa é que essa camisa quase que joga por si só. Estávamos lá para cumprir nossa missão, essa que nos foi designada sei lá por quem, mas que assumimos como se fosse uma ordem superior, algo quase que sobrenatural.

Estavam lá também aqueles que não deveriam estar. Os que nos envergonham, os que nos apequenam, os que não compreendem a grandeza dessa missão que é manter a tradição que nos foi legada por nossos antepassados.

Enfim, lá estivemos eu, você e o Palmeiras para nos despedirmos de nossa casa. Aquela que irão derrubar em nome de um futuro incerto, de uma modernização que não nos deseja.

Tenho certeza que cada marretada, cada pedaço de concreto que for derrubado, doerá na alma de cada Palestrino; já doeu no sábado. Por isso, vi tantos olhos marejados; por isso as lágrimas me escaparam. Serão dois anos longe de nossa casa que, quando voltar não será a mesma, e talvez não seja tão mais nossa assim.

O futebol e sua história morreram um pouco no sábado.

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Uma resposta to “Adeus Palestra”

  1. raul Says:

    Grande Ademir,
    Cara, eu não pude ir, estou morando em caraguá e não tive grana para ir, chorei muito durante o dia todo, minha mãe mais uma vez me cpnfortou em seus braços e deixou que eu desabasse em lágrimas, afinal, ela sabia o quanto aquele jogo era importante pra mim. Porra, dos meus trinta anos, são quase 25 ali dentro, e não será a mesma coisa. Sei lá cara, to um vazio só, ainda não consegui superar o fato de ter ficado de fora, sinto como que tenha ficado algo em aberto, entende? Nesses últimos anos é só decepção e estão tirando td que é nosso, não adianta se iludir, essa merda dessa arena não será nossa. meu filho nasce em agosto, quantas e quantas vezes projetei em meus pensamentos a primeira vez juntos no palestra, mas agora acabou, juro que quando percebí o verdadeiro motivo da arena, e com a demora das obras, estava torcendo demais para que não desse certo, mas agora acabou. Vou levá-lo para arena, afinal, o Palmeiras não tem nada a ver com os que o comandam, e não admito que meu filho torça pra outro time que não seja o Palmeiras. Mas a comunhão, será a mesma de quando eu comecei a ir? Time na fila, mas honrado, estádio cheio, o palestra fervia. Eu delirava, eu percebia a satisfação do meu tio de estarmos ali, o quanto ele era apaixonado pelo verdão e quanto aquela torcida era apaixonada. Percebí muito cedo que alí era minha casa, e que os demais torcedores eram minha familia. Energicos, passionais, porém, altamente comprometidos com o verdão. Será que qdo levar meu filho, o estadio estará vazio como o setor visa, frio como o setor visa, e os poucos que lá estiverem irão apenas criticar? Meu tio apesar de sempre me incentivar, nunca me forçou ser Palmeirense, mas faço parte de uma torcida que é única no mundo, somos incontestavelmente os apaixonados do mundo, e isso parece que não é importante para os mercenários incompetentes que estão na diretoria. Educação se aprende em casa, amar o Palmeiras tb. Como farei para ensinar meu filho a amar o Palmeiras, sendo que nossa casa não existirá mais.?
    Grande abraço Ademir, fica na paz!!!!!!!!!!

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