Seja bem-vindo de volta Gladiador

Kleber voltou, o Gladiador voltou. Segundo ele, e também segundo a maioria dos Palmeirenses, para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Ontem, em uma linda tarde de inverno, onde frio e calor se alternaram nas hoje frias arquibancadas do Palestra, a torcida esmeraldina retornou ao seu lugar de origem para saudar o retorno de seu guerreiro. Aquele espaço que foi retomado ontem pela torcida esmeraldina lhe foi recentemente subtraído, pois lá se encontra o setor mais caro do Palestra Itália. Mas, no reencontro com seu guerreiro a torcida reencontrou também o seu antigo espaço, e o ocupou; com seus gritos de guerra, seus cânticos, sua batucada, sua bandeiras; nossa gente estava lá novamente.

O Palmeiras é um clube de futebol sui generis, não consegue viver (e conviver) sem ídolos. Ao contrário de outras equipes de futebol que ganham títulos sem ídolos, apenas com planejamento, elencos fortes, técnicos de ponta, o Palmeiras não; nós somos dependentes de ídolos. Não que apenas os ídolos ganhem jogos, mas nossa torcida precisa de alguém e de alguns que encarnem o espírito Palestrino nos gramados, um ou outro representante da torcida no campo, o elo entre o divino e o profano, entre as arquibancadas e o gramado, entre os mortais das arquibancadas e os imortais dos campos de futebol. Quando há essa simbiose temos equipes vencedoras, quando isso nos falta não ‘dá liga’ como se diz no jargão.

Ontem, se alguém tinha dúvidas disso, a reapresentação de Kleber deixou isso ‘claro como mil sóis’. Somente um representante das arquibancadas nos gramados é que poderia em uma tarde de quarta-feira, dia útil, reunir mais de cinco mil pessoas em nosso estádio, somente no afã de revê-lo, se reverenciá-lo, de idolatrá-lo, de gritar por seu nome, quem sabe na esperança que ele ouça as súplicas desse povo sofrido, que busca em seu guerreiro a esperança de dias melhores.

Somente um verdadeiro ídolo poderia congraçar torcedores ‘organizados’ e ‘amendoins’; ‘torcedores comuns’; gerações distintas – o idoso, o jovem, a criança, o bebê… Homens e mulheres se congraçando e idolatrando aquele que nunca se furtou em dizer que é um dos nossos. Homens e mulheres, de todas as cores, idades, mas uma única religião: o amor ao Palmeiras. Homens e mulheres que sabem sim, ao contrário do que dizem, reconhecer e reverenciar seus verdadeiros representantes, seus ídolos.

O Gladiador voltou, para o lugar de onde nunca deveria ter saído – sua Arena, o Palmeiras; o Gladiador voltou para nos representar seja no Palestra Itália ou qualquer campo de batalha, pois nosso Gladiador nos representa seja onde for – aqui, lá, acolá – com sua garra e entrega. Kleber é um de nós nos gramados, por isso, lá estávamos – todos – renovando a esperança de que possamos nos reerguer, e erguer, o gigante Palmeiras.

Seja bem-vindo de volta Gladiador.

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Todas as fotos são de minha autoria, com exceção da foto central (O ídolo*) que é do Raphael Falavigna.


Torcida Idosos O ídolo*
Crianças Mulheres

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3 Respostas to “Seja bem-vindo de volta Gladiador”

  1. Especial: a volta do Gladiador! « G-Zuis Says:

    […] Leia também: Divino: Seja Bem-vindo de volta Gladiador […]

  2. @Diego_Cps Says:

    Grande texto, Ademir.
    Talvez essa seja realmente a nossa dificuldade em montar equipes vencedoras, a dificuldade em encontrar jogadores que encarnem o espírito torcedor em campo.
    Repare que muitos desses jogadores vêm ao acaso. Ninguém imaginaria que Valdivia ou Kléber representariam tanto para o Palmeiras. Tanto que acabam externando seu lado torcedor sempre que podem.
    Mas vale ressaltar que, mesmo que nossas conquistas não venham com a ‘regularidade’ com que muitos esperam, elas sempre são muito mais especiais do que os lixos que nos rodeiam.
    Sempre temos aquele craque que uns odeiam, outros invejam; Que são tidos como ‘violentos’, ‘cai-cai’, etc; Mas que, para nós, são tudo que há de melhor no mundo.
    Veja as bichinhas de trás do muro, que vivem enchendo a boca com pompa pra falar de seus títulos; São umas frustradas, porque no fundo não sabem o que é sentir no fundo do coração o amor pela instituição, por um ideal. Um título nosso vale por todos os delas.
    Nascemos Palmeiras, morreremos Palmeiras, seremos Palmeiras para sempre! Sem jamais sentir vergonha ou pudor de admitir.

  3. G. Batelli Says:

    Palavras sábias !
    Eu e minha mulher estávamos lá, corremos, compramos os alimentos e fomos pra fila. Como se fosse uma final de libertadores ou Brasileirão. Ajudamos a fazer a tietagem que ele merece, pois afinal de contas, esse é outro ídolo que volta para ajudar o time, os torcedores, diretoria e um outro ídolo que nunca saiu. Sim, chegou até o clube que o compraria e voltou pra dizer que é aqui seu lugar, São marcos.

    Que a Luz, a Garra, a Sinceridade e Torcida que o Kléber tem, contagie todos esses citados acima, e que voltemos a ser o grande campeão do século e o maior ganhador de títulos.

    Força Palmeiras, nosso time do coração.

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