Recomeço

Ontem, no Pacaembu, me recordei de 1999. Não me lembro se naquele ano os jogos do Palmeiras, na conquista da Libertadores, foram debaixo de chuva; aliás, a chuva de ontem foi pouca perto do que estamos nos acostumando ultimamente, mas o clima foi aquele que nos remete a um passado não muito distante onde nos acostumamos a empurrar o time e buscar o resultado – sempre o necessário, apertado, no sufoco, na garra…

Felipão estava lá, a torcida estava lá, eu estava lá. Durante aquele ano da graça de 1999 eu ainda cursava a graduação em Ciências Sociais e havia aula nas quartas-feiras pela noite. Lembro que eu tinha uma aula de política, ministrada pelo professor Oliveiros. Logo no início do semestre ‘eu abri o jogo’ e disse a ele que nos jogos do Palmeiras em casa eu não iria à aula; nos jogos fora de casa eu sairia no intervalo para poder – mesmo que de algum bar próximo – acompanhar a luta do Palmeiras por seu primeiro título continental. E assim foi durante toda a Libertadores. Estive no Palestra em todos os jogos, menos um: a final. Como sempre uma parte daqueles que lá estão – faça chuva, frio ou caia o mundo – não conseguiu o ingresso para a final; me recusei a ser extorquido por um vagabundo qualquer que explora o torcedor. Mas fiz a minha parte durante todo o certame. Conquistamos na final, em jogo dramático, nos pênaltis – com eles errando o último – o tão sonhado título.

Depois disso parece que aquela química, aquela comunhão entre torcida, time e treinador, se rompeu em algum momento. Não que a torcida não estivesse presente, mas algo faltou. Estávamos lá, empurrávamos o time, mas sempre faltava algo. Creio que o que faltava era a certeza que mesmo que fosse na ‘bacia das almas’ o time arrancaria – isso mesmo, arrancaria – o resultado que precisávamos. Faltou durante os últimos anos o espírito vencedor, a vontade de ganhar mesmo que jogando feio; faltou o espírito que Felipão nos devolveu.

Ontem, fui ao Pacaembu ajudar o Palmeiras ‘arrancar’ mais um resultado. Não pela Libertadores, mas por um torneio que dá vaga à Libertadores. E o clima me fez lembrar novamente aquele ano de 1999. Torcida, time, treinador, todos juntos conquistaram o resultado desejado. Jogamos bem? Sim, pois para mim o que importa é o time jogar para vencer: o adversário, as adversidades, as suas limitações… Para mim, futebol é 90% transpiração, os outros 10% se dividem entre jogar bem, sorte, uma jogada individual…

Ontem, faltou apenas o velho Palestra, que perdemos por um tempo, e espero que quando ele ‘voltar’ ainda seja nosso, mas havia um clima de recomeço no ar; de enlace, de entrega, de comunhão entre time e torcida.

Forza Palestra!

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Em tempo: O professor Oliveiros me pediu um trabalho sobre um livro dele próprio, que tratava do tema desenvolvido no semestre; o fiz, tive um bom aproveitamento e fui aprovado. O recomeço do título se refere ao clima entre time, torcida e treinador, mas também ao recomeço desse blogue, que com esse pequeno artigo volta às suas atividades normais pós-eleição.

5 Respostas to “Recomeço”

  1. Marcelo Reis Says:

    Grande Ademir!

    Bom que retornou ao blogue. Meu sentimento foi bem parecido com o teu, escrevi num post no meu blogue.

    Ontém fiquei num clima nostálgico, foi muito bom. Nem comentaristas e narradores falando merdas tiraram o meu humor.

    Abs

    Que o Seo Cruz volte e escreva tb!

    Que sejamos todos bem-vindos de volta. Inclusive um Palmeiras guerreiro e vencedor. Valeu pela visita!

  2. Alex Rolim Says:

    Essa palavra “Recomeço” esteve na minha cabeça durante o jogo. Atualmente trabalho com um colega palmeirense, mas daqueles que tudo está ruim, o time é o pior de todos, nunca merece ganhar, um azedume só. Eu não sou o mais otimista, sei das limitações técnicas que enfrentamos, mas fica claro que o mérito é do Felipão, da torcida e da garra de alguns como Kléber e Assunção.
    Que seja mesmo mais um recomeço para nós.

    Tem que explicar para o azedo que, mesmo ele – aliás, principalmente ele – será daqueles que mais comemorarão caso venha o título. Esses, os azedos, só tem a ganhar, enquanto nós, que sofremos e sempre acreditamos, somos os que mais perdemos, justamente porque a nossa crença é, litaralmente, uma profissão de fé.

  3. Barneschi Says:

    Grande texto, Ademir! Concordo com o papel fundamental do Felipão nisso tudo, mas ontem foi especialmente reconfortante perceber que a torcida resolveu transformar o Pacaembu na nossa casa. Torcida e time foram um só corpo, e é assim que podemos, como você bem disse, arrancar esse título. Porque sempre foi assim. Que aconteça novamente assim neste 2010.
    Abraços

    Concordo com você. Somente acho que o papel do Felipão é mais que fundamental, pois não acredito que qualquer outro, com times movidos e toquinhos – que fosse até com futebol bonito, conseguiria contagiar nossa torcida novamente. Precisamos aproveitar o momento e imbuir a torcida desse espírito para sempre.

  4. NIVALDO FORASTIERI Says:

    Ademir, vejo esse sentimento de recomeço nas ruas e por onde encontro Palmeirenses, Palmeirenses esses que se apequenaram (não eu) por causa da vergonha dos ultimos anos.

    Tudo isso graças ao Felipão, que enfrenta com jogadores ruins, política podre (do clube) e imprensa gambá, todos as adversidades. Outro no lugar dele estaríamos chorando novamente na Série B.

    É muito bom ver o Palmeiras PALMEIRAS novamente, todos aqueles que são palmeirenses por minha causa (irmão e primos) agora estão radiantes de alegria e conseguem sentir esse espírito de força e garra que o Time e principalmente o felipão transmitem para a torcida.

    Ser Palmeirenses é isso, Amor, paixão, força, garra, e principalmente ter um coração forte!! Meu irmão só viu o Palmeiras campeão da Série B e do Paulista e hoje ele me disse “agora sei oq vc sentia nos anos 90”, oq ele sente? Que a cada jogo é uma batalha, ganhamos sempre e somente de forma honrada e dígna. ISSO É O PALMEIRAS DE VERDADE!!!

  5. NIVALDO FORASTIERI Says:

    ow tira o block do twitter????
    rsrsrs
    @NiForastieri

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