Sobre a homofobia! [2]

Mais um texto reproduzido do blogue VAIPARMERA! sobre o tema da homofobia no futebol.

A Tolerância Veste Verde

Por Tiago Soares

O quarto texto da série “Contra a Homofobia no Futebol” – Por Tiago Soares

Uma das primeiras coisas que te ensinam ao ser palmeirense é que “o Palmeiras é o time dos imigrantes italianos que se afirmaram contra a adversidade”. E que é o clube que construiu tudo que tem, que nunca ganhou nada de mão beijada. Que é o time que acolhe gente vinda de muitos lugares.

É o time do imigrante, o time do estrangeiro. O time do outro. Porque o estrangeiro não é definido apenas por fronteiras riscadas em mapas e distâncias geográficas. Ele é também a diferença em jeitos de viver a vida e entender o mundo. É o sujeito que está imerso em outras culturas e costumes, que no Palmeiras encontrou, sempre, uma comunidade a abrigá-lo sem se importar com a diferença.

E o Palestra Itália que acolhia operários italianos da cidade e da lavoura foi generoso, também, aos japoneses e árabes e a toda gente dos cantos do Brasil e do mundo. Unidos em sua diferença, inventando o novo. Não à toa, “o Palmeiras é o time do pioneirismo”, te explicam também.

Mas existe uma lição que, essencial, às vezes parece pouco ensinada. Porque, ao se inventar como o espaço dos imigrantes, como ferramenta para o diálogo com a nação e a cidade que os acolhia apesar de todas as diferenças, o Palmeiras se funda, acima de tudo, como um exercício de tolerância.

O torcedor palmeirense que bate no peito para dizer que algum preconceito – qualquer um – “veste verde” joga contra sua história. Porque o preconceito é um valor absoluto, e quem o celebra age exatamente como aqueles que, no começo do século passado, o celebravam contra os imigrantes e tudo que o então Palestra Itália representava.

Há quem diga que os que agem assim são apenas zelosos pela tradição, que alguns apenas preferem que as coisas se mantenham mais próximas dos costumes de sempre.
Quem fala isso esquece que a tradição é uma referência, um conjunto de coisas guardadas de sua história que te ajudam a saber de onde você veio e para onde quer ir. Prefiro acreditar que a tradição do Palmeiras são o acolhimento, a lealdade, a coragem, os valores que emergem de tudo que fez em sua história.

Ao transformar a tradição num estilo de vida submetido a práticas e costumes fora de lugar, os torcedores que embaralham preconceito e conservadorismo se aproximam dos que, dentro do clube, confundem sua administração com falta de democracia e mesquinharias. Daqueles que, embora se enxerguem palmeirenses, parecem não ter ideia do que isso significa. Porque muitas coisas vestem verde em nossa história. E a tolerância é uma das maiores delas.

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