PALMEIRAS: UM FENÔMENO NO RIO

Via: Buteco do Edu, do amigo @edugoldenberg

Há tempos que estou para escrever sobre o assunto que hoje me traz aqui, ao balcão. Há tempos. É testemunha disso meu irmão paulista, o fabuloso homem da barba amazônica, Fernando José Szegeri. Eu já comentei com ele, algumas vezes, em diversas oportunidades, sobre esse troço que, quero confessar, não compreendo bem. Talvez saibam dar uma explicação para o fenômeno os estudiosos do assunto, como Luiz Antonio Simas, como Bruno Ribeiro, como o próprio Fernando José Szegeri (notem que escrevi, sem qualquer peso na consciência, o nome completo desses três grandes brasileiros, amantes do futebol). Como o Ivan Soter, que não me lê mas que poderia ser provocado por um de meus poucos mas fiéis leitores (assim quero crer), Rodrigo Ferrari, o Folha Seca, que tem acesso ao Ivan como um padre à sacristia. Dito isso, em frente.

Sei que a afirmação que farei (e que é fruto de uma observação diária e que já dura anos!) incomodará a alguns de meus leitores de São Paulo. Consigo ouvir daqui os protestos dos corinthianos ClaudioFavelaJulio Vellozo eLeonor Macedo (em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades), consigo ouvir os são-paulinos Dado e José Szegeri (pai do homem da barba amazônica) bradando contra mim, consigo ouvir a chiadeira do Gordo, santista desde criança – não dá pra citar todo mundo, pô!. Consigo, mesmo, saber que vou criar polêmica – mas o que vou lhes contar, meus poucos mas fiéis leitores, é a mais pura expressão da verdade.

Antes, pausa: terminei esse parágrafo e uma dúvida me acomete… Será mesmo, o Favela, torcedor do Corinthians? O Favela é tão apaixonado pelo futebol de várzea que, pra mim, e dentro de mim, ele é Anhangüera, apenas Anhangüera.

Todos os dias – eu disse TODOS, com a ênfase szegeriana – eu esbarro com pelo menos uma pessoa envergando, orgulhosa, a camisa do Palmeiras. E eu disse “pelo menos uma” porque às vezes – estou sendo preciso do início ao fim – eu esbarro com duas, três, quatro, cinco camisas do Palmeiras, no mesmo dia, em horários e locais diferentes.

Ontem, por exemplo, estava eu almoçando no local de sempre, numa modesta galeria comercial em Laranjeiras, quando sentou-se diante de mim um sujeito com uma camisa do Palmeiras, antiga, da Adidas, com patrocínio da Coca-Cola, um clássico! Eu estava justamente terminando de almoçar. Levantei-me, fingi que estava fazendo uma ligação e – clique! – fotografei a camisa do caboclo. Fotografia feita, vali-me das tecnologias que mal-domino e mandei o flagrante para o homem da barba amazônica (foto abaixo).

camisa do Palmeiras no Rio de Janeiro, fotografia de Eduardo Goldenberg, pelo celular

Em segundos, estrilou meu celular. Eu, com o humor preparado pelo BINA, fui eufórico:

– Fala, mano!

E ele, pela primeira vez eufórico em muitos anos:

– Escreva sobre isso! Escreva sobre isso! É chegada a hora!

Eu ia começar a responder quando ele continuou:

– Antes que eu me esqueça…

– Diga.

– Sabe se aquele cara, o Rodrigo, já emoldurou meu autógrafo?

– Não…

Ouvi uma fungada – algo como um princíprio de chôro ou mesmo um simples muxôxo – e ele continuou:

– Voltando ao assunto…

– Diga.

– Escreva, Edu! Quando eu conto ninguém acredita!

E eu, prometendo a ele que o faria, disse:

– O.K.! Pode deixar. Amanhã mesmo!

Despedimo-nos efusivamente e eis-me aqui cumprindo minha palavra (eu cumpro a palavra que empenho).

Eis o que eu queria lhes dizer sobre o Palmeiras…

No Rio de Janeiro, por razões óbvias, é fácil dar de cara com camisas do Flamengo, do Vasco, do Fluminense, do Botafogo, do América.

Mas por que razão – esta a pergunta que faço com as mãos espalmadas pedindo ajuda – a camisa do Palmeiras é onipresente na cidade do Rio?!

Aqui na Tijuca – vão tomando nota, leitores palestrinos!!!!! – o troço chega a ser vergonhoso. Não é só o Imperador, garçom do falecido RIO-BRASÍLIA, vejam aqui, que exibe, orgulhoso, a camisa do Palmeiras. Vira-e-mexe, na Tijuca, surge o alviverde imponente – e eu quase sempre disco pro Szegeri:

– Mais uma!

– É impressionante!

E ele gargalha de lá, cofiando a barba (ouço o farfalhar de sua densa barba negra).

Quando o Palmeiras joga, então, você tem a impressão, em plena Tijuca, de que está caminhando pela rua Turiassu ou descendo, animadamente, a avenida Francisco Matarazzo.

Dia desses, inclusive, eu estava dentro do 239, voltando pra casa. Era dia de jogo do Palmeiras (não me lembro qual, nem à fórceps). O ônibus parou no sinal (no farol, palestrinos), na esquina da Frei Caneca com a Marquês de Pombal, onde há um buteco de primeira, vagabundo, como devem ser os grandes butecos. E do teto do bar – creiam! – pendia uma enorme, uma gigantesca, uma impressionante bandeira do Palmeiras. Diante do balcão da espelunca, uns dez, doze, sei-lá-quantos homens vestidos a caráter bebiam e faziam algazarra, como se estivessem devastando sanduíches de pernil com cerveja numa das kombis da Turiassu e prestes a entrar no estádio. Liguei, evidentemente, pro homem da barba amazônica. Ele, gemendo:

– Mentira, Edu…

– Juro! – e fiz o som dos dois beijinhos com os indicadores em cruz, apoiando o celular entre o ombro e a orelha esquerda.

– Quando eu for ao Rio quero conhecer esse buteco!

E é assim, meus poucos mas fiéis leitores. Desconheço a razão desse fenômeno. Pois é, de fato, um fenômeno.

(agora mesmo é que serei vaiado pelos paulistas não-palestrinos)

Muito raramente – muito, muito mesmo! – encontro alguém com a camisa do Corinthians (no reveillón e no Carnaval, com a cidade invadida por turistas, vê-se mais). Guarani, Santos, Portuguesa, Ponte Preta, São Caetano, Bragantino – encontrar uma dessas é quase que impossível, mas vê-se, uma na vida e outra na morte.

O que eu NUNCA vi (com a ênfase szegeriana) – NUNCA!!!!! – foi uma camisa do São Paulo.

Campeão não sei quantas vezes, campeão disso, campeão daquilo, a camisa do São Paulo NUNCA – e digo isso com 100% de certeza – foi vista por essas plagas.

Com vocês, por favor, a palavra.

Até.

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3 Respostas to “PALMEIRAS: UM FENÔMENO NO RIO”

  1. Leone Lobuti Says:

    Ao ler este texto, fique emocionado,pois tambem costumo contar camisas do Palmeiras nas ruas.Rio cidade + maravilhosa, agora !

  2. LEONARDO Says:

    MUITOS NÃO TEM NOÇÃO OU TENTAM ESCONDER O TAMANHO E O FANATISMO DA TORCIDA PALMEIRAS, PORCO DA MINHA VIDA

  3. Ricardo Cristelli Lugarinho Says:

    Muito interessante esse texto. Gosto de provocar parentes e amigos cariocas por causa dessa situação. Principalmente os flamenguistas mais antigos. Todos eles, sem exceção, dizem que o Palmeiras de 72-75 foi o melhor times que eles viram jogar. Alguns chegam a suspirar esperançosos que o Flamengo de 81 pudesse ter tido Ademir, Dudu, Leivinha, Leão…

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