Archive for the ‘Política’ Category

O futebol dos gerentes

01/03/2013

Esse é um dos textos que eu gostaria de ter escrito em minha vida. Por isso o reproduzo aqui, é exatamente disso que se trata.

 

O Futebol dos Gerentes – por: Leandro Begoci (via: VIP)

O Maracanã morreu. O Mineirão também. O Palestra Itália já não está mais entre nós. Até o imortal Olímpico nos deixou numa tarde ensolarada de domingo. Aliás, para falar a verdade, eu mesmo não estou me sentindo muito bem… Os últimos meses têm levantado um cheiro suave de coroa de flores e, sabe como é, sou altamente influenciado por esse clima de velório. Quando morre uma parte do futebol, uma parte (grande) de mim também se vai.

Alguns desses estádios vão ser inaugurados com os mesmos nomes, é verdade. Outros vão se chamar arena mais o nome do time ou do antigo estádio. Provavelmente vão ser inaugurados por CEOs (o novo nome do velho cartola) que vão fazer de tudo para convencer os stakeholders (acostume-se: esse será o novo nome do velho torcedor) de que, afinal, o espírito do estádio foi apenas transposto para uma nova estrutura.

Mas, da mesma forma que você não ressuscita o seu avô quando coloca o nome dele no seu filho, manter o velho nome em um novo estádio é apenas uma homenagem. Bonita, é verdade. Bonita e inútil.

O que tem acontecido nos estádios, sob o pretexto da Copa do Mundo, é apenas a última parada de um caminho longo. O futebol, no Brasil, não é apenas um esporte. Já seria bastante, aliás, se fosse apenas um esporte imensamente popular. O futebol, nesta parte da América do Sul, é uma manifestação cultural poderosa, tão intensamente ligada à identidade do Brasil quanto a língua portuguesa. É pelo futebol que organizamos nosso tempo, nossas relações familiares e, em muitos casos, julgamos o caráter de outra pessoa.

É diferente dos Estados Unidos, por exemplo, onde os times se chamam franquias e mudam de cidade ou de cores como uma rede de lanchonete. Também é diferente do vôlei jogado no Brasil, onde os times têm nomes de empresas. Nos dois casos, a única ligação passional entre o time e o torcedor é o lugar onde os dois estão. O futebol transcende a localização. Um gremista, ao se mudar para o Recife, não passa a torcer para o Sport.

Isso acontece porque o futebol disseminou por toda a sociedade o estilo de vida dos trabalhadores das fábricas, que se espalhavam por amplas áreas das maiores cidades do país. Ir a um estádio de futebol, alguns anos atrás, era uma experiência semelhante a começar o dia em uma indústria. A comida na porta, as longas filas para entrar, a simplicidade do concreto armado, o desconforto das arquibancadas, o companheirismo de quem compartilha o mesmo destino difícil e suado.

À medida que o país mudou, o futebol também se transformou. Agora, quem vai aos estádios são as pessoas que trabalham em escritórios com ar condicionado, janelas amplas, em áreas próximas a shopping centers e usam palavras em inglês, mesmo com um belo similar em português – espero, aliás, que partida nunca seja chamada de “match” por aqui. Essas pessoas, filhas dos trabalhadores que frequentavam os estádios, agora querem que as arenas sejam mais parecidas com o mundo em que elas vivem. Com a Copa do Mundo, isso foi possível. É o fim do churrasquinho. É o começo do espaço gourmet.

Esse processo não aconteceu apenas no Brasil. A Inglaterra passou por isso na década anterior. A partir da experiência inglesa, é possível concluir que não são apenas os estádios que mudaram, mas a própria forma de amar o time. O torcedor que frequenta essas novas arenas dificilmente vai arrumar confusões violentas ou arremessar objetos no gramado. Esse novo torcedor quer conforto e segurança. Por outro lado, a relação dele com o time é muito mais de consumidor do que de amante. Ele fica decepcionado com o resultado como fica triste quando compra um carro novo que começa a dar defeito. Tem vontade de reclamar para o SAC do departamento de futebol. Ele não está preocupado apenas com quem fez o gol mais bonito ou qual time tem mais craques, mas quem tem o melhor departamento de marketing e quem lidera o ranking de venda de camisas. Talvez, no futuro, esteja disposto a gritar o nome do time mais o nome do patrocinador.

Não é uma questão de julgar, agora, se essas mudanças são boas ou ruins. O fato é que o futebol brasileiro morreu. E outro está começando a nascer em seu lugar. As arenas são apenas a forma em concreto e vidro que materializam essa mudança. Resta saber o quanto de paixão vai restar neste futebol dos naming rights.

Três pontos

Beatles e o Liverpool
Um dos momentos mais emocionantes do futebol inglês aconteceu em 1964, num Liverpool x Arsenal. O estádio, cheio muito além da capacidade, começou a cantar She Loves You, um dos maiores sucessos dos Beatles.

Heysel Stadium
Por outro lado, o Liverpool foi protagonista do desastre no Heysel Stadium, na Bélgica. Em 1985, na final da Champions League, contra a Juventus, 39 pessoas morreram e cerca de 600 ficaram feridas numa briga que traumatizou uma geração de torcedores.

Racismo
Os novos estádios ingleses são mais modernos, limpos e confortáveis. Sempre cheios, especialmente com pessoas das classes média e alta. Supostamente, mais educadas e tolerantes. Mas os casos de racismo na Premier League são comuns, ano após ano. A casa nova não acaba com todos os problemas, afinal.

 

ARENA PALESTRA: VEM MAIS BOMBA POR AÍ!!!

08/06/2011

Ficamos sabendo que mais uma ação, sabemos por quem e por quais interesses lutam, vem sendo orquestrada contra a construção de nossa nova casa. Sendo assim, nos dirigimos ao promotor JOSÉ CARLOS DE FREITAS nos seguintes termos:

São Paulo 08 de junho de 2011

EXISTEM RUMORES QUE ESTA PRESTES A COMEÇAR MAIS UMA NOVELA REFERENTE À CONSTRUÇÃO DA ARENA PALESTRA; DESTA VEZ REFERENTE (DE NOVO) À PERMEABILIZAÇÃO DO BAIRRO, E NOVAMENTE QUEM DEVE TENTAR ATRAPALHAR O ANDAMENTO DOS TRABALHOS É O PROMOTOR DA HABITAÇÃO E URBANISMO JOSÉ CARLOS DE FREITAS.

O QUE DEIXA TODA A NAÇÃO PALMEIRENSE INDIGNADA E DESCONFIADA É QUE O ESTÁDIO DOS gambás NÃO SOFREU NENHUM TIPO DE RETALIAÇÃO DO SR. PROMOTOR, E NEM SOFRERÁ NO DECORRER DAS OBRAS.

SABEM DO MAIS INTERESSANTE?!?!?!? É QUE BASTA ENTRAR NA SALA DESSE CIDADÃO E PERCEBER PARA QUAL TIME O INFELIZ TORCE. ESTÁ LÁ, NA CARA, PARA QUEM QUISER VER… TUDO EM preto e branco…

PRECISAMOS DIZER MAIS ALGUMA COISA?!?!?!?! ACHAMOS QUE NÃO, HEIN!!!

SÓ NOS RESTA PROTESTAR PARA QUE ELE, E TODOS OS ANTI-PALMEIRAS E ANTI-ARENA, PERCEBA QUE A TORCIDA DO PALMEIRAS ESTÁ DE OLHOS BEM ABERTOS PARA TODAS AS SACANAGENS QUE JÁ FIZERAM E QUE ESTÃO POR FAZER CONTRA A CONSTRUÇÃO DA ARENA PALESTRA!!!

DEIXAMOS AQUI UMA PERGUNTA AO SR. PROMOTOR JOSÉ CARLOS DE FREITAS E QUE PODE SER RESPONDIDA PARA QUALQUER PALMEIRENSE.

PORQUE AS LEIS SÃO COBRADAS APENAS DE UM TIME; TIME O QUAL O SR. NÃO TORCE????

Torcida do PALMEIRAS.
_______________
1) Escrito em caixa alta mesmo, para que os gritos de indignação sejam ouvidos;
2) Usemos no twitter, e em todos os espaços, as
Hashtag: #PromotorOdeiaPalmeiras para que saibam que estamos atentos; e,
3) Copiem, panfletem, republiquem em seus blogs e sites…

Cancelamento da assinatura do Estadão

26/09/2010

Acabamos, eu e minha esposa, de solicitar o cancelamento de nossa assinatura do Estadão. Veja o teor da carta:

Como assinantes do Estadão há mais de década, e à luz – ou sob o impacto – do editorial do jornal em apoio à candidatura de José Serra, solicitamos desse jornal, dois obséquios.

O primeiro deles é que me respondam algumas questões – para que fique claro a todos os assinantes do jornal que o apoio à candidatura da oposição ao governo do presidente Lula não seja apenas por interesse financeiros/comerciais. São elas:

1)      A S.A. O Estado de São Paulo (figura jurídica do jornal O Estado de São Paulo) têm atualmente – ou já teve em algum momento – contrato de prestação de serviços, de qualquer natureza, junto ao Governo do Estado de São Paulo?

2)      Quais os valores, as datas de assinatura e os prazos de cada um desses contratos?

3)      Quais tipos de serviços são prestados para cada um desses contratos?

4)      Algum deles foi pela modalidade de dispensa de licitação, qual(is) e, se o caso, por qual motivo?

5)      Quais parâmetros e justificativas são usados para os valores cobrados para cada um desses contratos?

O segundo obséquio é o de cancelarem, imediatamente, minha assinatura, pois não concordo com uma linha sequer das justificativas apresentadas pelo jornal para o apoio a José Serra. Nem, tampouco, posso aceitar que o jornal tenha, ao contrário do que afirma o editorial, se transformado em partido de oposição ao atual governo.

Como veículo de informação, é desejável que se mantenha uma posição neutra, se não no editorial, pelo menos, nas páginas dedicadas à informação dos leitores; isso não vem ocorrendo há algum tempo com o Estadão. Um jornal deve exercer a função exclusiva de informar, deixando para cada leitor o também exclusivo direito de formar sua própria opinião.

De todo modo, também é nesse particular que se expressa o que já há muitos anos muitos cientistas políticos afirmaram: a mídia escrita, como qualquer outro veículo de informação, forma efetivamente opiniões. Não obstante tenha conhecimento disto, a tentativa escancarada de formar opinião é algo intolerável.

Vejamos: no editorial de apoio a Serra o jornal gasta sete linhas para apresentar as ‘qualidades’ de seu candidato, e nove parágrafos para, mais uma vez, atacar o Presidente da República e sua candidata. Com isto, o jornal mostra que não é favorável ao candidato Serra, mas principalmente – e acima de tudo – é contra o governo e o presidente Lula e quer ‘impor’ isso a seus leitores.

A questão é ideológica, não? Então, que coloquemos em termos ideológicos!

Palmeirense também vota

02/09/2010

Eu nutro pelo DEMO (ex-PFL) a mesma simpatia que tenho pelo PSDB, ou seja, nenhuma. Não voto, não votei e nunca votarei em gente desses dois partidos. Porém, a torcida do Palmeiras está em campanha, na qual me engajo, para avisar ao DEMO (Kassab, em específico) que ele está perdendo os votos dos Palmeirenses que votavam nele.

Dessa forma, aí vai minha contribuição, quem sabe ajudamos a desenrolar essa coisa da Arena, e se não, pelo menos ajudo a varrer do mapa mais um político dessa escória direitosa que se chama DEMO: E Agora Kassab?


Imprima, panflete, distribua para seus amigos, Palmeirenses ou não!

[OFF] A farsa do carisma

04/08/2010

Quando você assiste a uma daquelas inserções comerciais (propaganda) de alguma obra ou benefício ‘concedido’ pelo prefeito, governador ou presidente de plantão saiba que aquilo é uma peça publicitária. Produzida por publicitários, encenada por atores e recheadas de figurantes. Minhas filhas mesmo já fizeram teste para uma dessas peças publicitárias. Tenho um amigo que já apareceu elogiando uma obra do Kassab, mesmo sendo Lulista de carteirinha. Acontece que como os atores e figurantes são contratados eles recebem para isso.

Em uma campanha política não é muito diferente. Atores são contratados e pessoas comuns são recrutadas para falarem bem de candidato X ou mesmo para falarem mal de candidato Y. São pagos para isso, recebem um ‘cachê’ (pagamento) pelo trabalho executado.

Há, porém, outras situações onde não é possível se fazer o pagamento pela participação, onde o grande número de participantes inviabiliza o pagamento. São as externas em comícios, visitas, passeatas, carreatas. As imagens são tomadas e, no máximo, se pede a autorização dos participantes para que cedam o direito de sua imagem ser exibida no programa eleitoral do candidato.

A coisa funciona, mais ou menos, da maneira que relatei acima. Isso acontece porque nem todo mundo apóia o candidato que está em determinado bairro, por exemplo. Por isso, é necessário ‘buscar’ as melhores imagens, os gritos de apoio, os beijos, os abraços. Mas, nem tudo são flores, pois há candidatos mais e candidatos menos populares. Aqueles que com seu carisma dispensam ensaios e aqueles que mesmo com ensaios não conseguem empolgar os ‘eleitores’ que lá estão.

Foi o que aconteceu com o candidato Serra. Ao visitar uma escola (Escola Técnica Estadual – ETEC – em Heliópolis, zona sul da capital, no dia de ontem – 3/08/2010), o candidato Demo/Tucano foi supreendido pela pureza das crianças. Logo após acenarem para Serra as crianças começaram a gritar em coro o nome do presidente Lula: “Lula! Lula! Lula!” e “olê, olê, olá, Lula, Lula”.  [vídeo acima]

Isso mostra primeiro, que carisma não é para qualquer um; e, segundo, que – no mínimo – a lei eleitoral foi desrespeitada.

O pior dessa história é que, provavelmente, as imagens com as crianças aos gritos de Serra (e Alckmin) serão utilizadas pelo programa eleitoral de ambos, depois do ensaio, do ‘falhou’ do adulto (seria professor ou assessor?), configurando uma verdadeira farsa.

Espero, que – pelo menos – tenham pago o cachê para a garotada.

Os mentirosos

26/03/2010

Se lembram da enquete (Torcedor, o que você quer?) do amigo Barneschi lá no Forza- Palestra? Pois bem, saiu o resultado. Parece que Del Nero e Rede Globo estão em luta contra os torcedores, e mentem descaradamente na defesa do horário pornográfico e da grade que privilegia novela e BBB.

Vá lá e leia mais um texto de resistência contra essa excrescência de horário. Mais um texto em defesa do futebol e de seus torcedores.

Tá aqui: OS MENTIROSOS!

Como já disse também o amigo Tito: Chega de sessão coruja!

Vergonha!

24/03/2010

“Começou a roubalheira a própria administração municipal [da cidade de São Paulo] está demonstrando que irá ‘tocar as obras’ do estádio do Morumbi”.

É como disse o velho e bom Marx:  “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Aqui,  no Cruz de Savóia.

[off]Política

23/03/2010

TOMA QUE O TERRENO É MEU

Por: Marco Antonio Araujo, o Provocador.

Vamos combinar um negócio? Vou invadir o quintal da sua casa. Não vou pagar nada por isso. Também vou proibir sua família de entrar na área. Para garantir, vou colocar cerca em volta, com seguranças. Depois de anos, porque eu sou bonzinho, vou devolver o pedaço. Mas só se você me agradecer por isso. Está bom assim?

Foi essa a imagem que me veio quando soube que a Rede Globo “doou” um terreno para o governo do Estado de São Paulo construir uma escola técnica. Li isso no portal Comunique-se, voltado para profissionais de comunicação. “Doou”. Doeu. Deu o que não era dela! Quer dizer então que não devolveu! Cara de pau!

Para quem não conhece a história, é rapidinho: a Globo incorporou ao seu patrimônio um terreno público de quase 12 mil metros quadrados, avaliado em mais de R$ 11 milhões. A área fica contígua ao prédio da emissora no Brooklin, em São Paulo. Terrenão.

Era uma praça. Virou pista de cooper exclusiva aos funcionários da emissora. Ninguém podia frequentar o lugar. Tinha grade e vigilância 24 horas. Apropriação indébita. Invasão, se o MST se atrevesse a fazer algo parecido. Caso de polícia.

Houve uma gritaria, claro. O povo não é bobo. Conversa vai, conversinha vem, semana passada a Velha Senhora assina um convênio com o Serra e posa de bacana. Detalhe: a tal escola vai formar profissionais de quê? De multimídia, áudio e vídeo. Quanta generosidade!

Aí vou no site da Globo e vejo que o terreno “é propriedade do Estado”. Então confessaram o crime?! Invadiram a área esses anos todos. Para uso particular e mesquinho. Sem gastar um centavo. Socorro! Cadê o Ministério Público? Hein?

Não vão ser punidos por isso? Não, não. Vão ficar olhando para nossas caras de patetas esperando que a gente diga obrigado, obrigado. Ah, vá. Chama o ladrão! Chama o ladrão!