Posts Tagged ‘[off]Política’

[off] Como uma fraude elitizou o futebol e demonizou os torcedores.

24/09/2012

Fraude no episódio que mudou a face do futebol mundial

Há 23 anos, tragédia em estádio inglês matou 96, demonizou torcedores e iniciou elitização do esporte. Foi manipulada, sabe-se agora

Por Irlan Simões, editor da coluna Futebol Além da Mercadoria

Em 12 de setembro último, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fez um pedido de desculpas histórico. Dirigindo-se às famílias das 96 pessoas massacradas no Estádio de Hillsborough, em abril de 1989, numa partida de futebol entre o Liverpool e o Nothingan Forest, reconheceu que os mortos haviam sido vítimas de “dupla injustiça”. Além de perderem a vida, foram acusados, por 23 anos, de pertencerem ao grupo de torcedores do Liverpool que causou a tragédia. Foi uma manipulação grosseira que durou mais de duas décadas, admitiu Cameron, em discurso ao Parlamento e apoiado no relatório final de um painel independente.

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Cancelamento da assinatura do Estadão

26/09/2010

Acabamos, eu e minha esposa, de solicitar o cancelamento de nossa assinatura do Estadão. Veja o teor da carta:

Como assinantes do Estadão há mais de década, e à luz – ou sob o impacto – do editorial do jornal em apoio à candidatura de José Serra, solicitamos desse jornal, dois obséquios.

O primeiro deles é que me respondam algumas questões – para que fique claro a todos os assinantes do jornal que o apoio à candidatura da oposição ao governo do presidente Lula não seja apenas por interesse financeiros/comerciais. São elas:

1)      A S.A. O Estado de São Paulo (figura jurídica do jornal O Estado de São Paulo) têm atualmente – ou já teve em algum momento – contrato de prestação de serviços, de qualquer natureza, junto ao Governo do Estado de São Paulo?

2)      Quais os valores, as datas de assinatura e os prazos de cada um desses contratos?

3)      Quais tipos de serviços são prestados para cada um desses contratos?

4)      Algum deles foi pela modalidade de dispensa de licitação, qual(is) e, se o caso, por qual motivo?

5)      Quais parâmetros e justificativas são usados para os valores cobrados para cada um desses contratos?

O segundo obséquio é o de cancelarem, imediatamente, minha assinatura, pois não concordo com uma linha sequer das justificativas apresentadas pelo jornal para o apoio a José Serra. Nem, tampouco, posso aceitar que o jornal tenha, ao contrário do que afirma o editorial, se transformado em partido de oposição ao atual governo.

Como veículo de informação, é desejável que se mantenha uma posição neutra, se não no editorial, pelo menos, nas páginas dedicadas à informação dos leitores; isso não vem ocorrendo há algum tempo com o Estadão. Um jornal deve exercer a função exclusiva de informar, deixando para cada leitor o também exclusivo direito de formar sua própria opinião.

De todo modo, também é nesse particular que se expressa o que já há muitos anos muitos cientistas políticos afirmaram: a mídia escrita, como qualquer outro veículo de informação, forma efetivamente opiniões. Não obstante tenha conhecimento disto, a tentativa escancarada de formar opinião é algo intolerável.

Vejamos: no editorial de apoio a Serra o jornal gasta sete linhas para apresentar as ‘qualidades’ de seu candidato, e nove parágrafos para, mais uma vez, atacar o Presidente da República e sua candidata. Com isto, o jornal mostra que não é favorável ao candidato Serra, mas principalmente – e acima de tudo – é contra o governo e o presidente Lula e quer ‘impor’ isso a seus leitores.

A questão é ideológica, não? Então, que coloquemos em termos ideológicos!

[OFF] A farsa do carisma

04/08/2010

Quando você assiste a uma daquelas inserções comerciais (propaganda) de alguma obra ou benefício ‘concedido’ pelo prefeito, governador ou presidente de plantão saiba que aquilo é uma peça publicitária. Produzida por publicitários, encenada por atores e recheadas de figurantes. Minhas filhas mesmo já fizeram teste para uma dessas peças publicitárias. Tenho um amigo que já apareceu elogiando uma obra do Kassab, mesmo sendo Lulista de carteirinha. Acontece que como os atores e figurantes são contratados eles recebem para isso.

Em uma campanha política não é muito diferente. Atores são contratados e pessoas comuns são recrutadas para falarem bem de candidato X ou mesmo para falarem mal de candidato Y. São pagos para isso, recebem um ‘cachê’ (pagamento) pelo trabalho executado.

Há, porém, outras situações onde não é possível se fazer o pagamento pela participação, onde o grande número de participantes inviabiliza o pagamento. São as externas em comícios, visitas, passeatas, carreatas. As imagens são tomadas e, no máximo, se pede a autorização dos participantes para que cedam o direito de sua imagem ser exibida no programa eleitoral do candidato.

A coisa funciona, mais ou menos, da maneira que relatei acima. Isso acontece porque nem todo mundo apóia o candidato que está em determinado bairro, por exemplo. Por isso, é necessário ‘buscar’ as melhores imagens, os gritos de apoio, os beijos, os abraços. Mas, nem tudo são flores, pois há candidatos mais e candidatos menos populares. Aqueles que com seu carisma dispensam ensaios e aqueles que mesmo com ensaios não conseguem empolgar os ‘eleitores’ que lá estão.

Foi o que aconteceu com o candidato Serra. Ao visitar uma escola (Escola Técnica Estadual – ETEC – em Heliópolis, zona sul da capital, no dia de ontem – 3/08/2010), o candidato Demo/Tucano foi supreendido pela pureza das crianças. Logo após acenarem para Serra as crianças começaram a gritar em coro o nome do presidente Lula: “Lula! Lula! Lula!” e “olê, olê, olá, Lula, Lula”.  [vídeo acima]

Isso mostra primeiro, que carisma não é para qualquer um; e, segundo, que – no mínimo – a lei eleitoral foi desrespeitada.

O pior dessa história é que, provavelmente, as imagens com as crianças aos gritos de Serra (e Alckmin) serão utilizadas pelo programa eleitoral de ambos, depois do ensaio, do ‘falhou’ do adulto (seria professor ou assessor?), configurando uma verdadeira farsa.

Espero, que – pelo menos – tenham pago o cachê para a garotada.

[OFF]Política

27/06/2010

Por Rudá Ricci

O jeito paulista de fazer política

Se o jeito mineiro de fazer política é o mais português e feminino de todo o país, o jeito paulista é o mais norte-americano e masculinizado. O desastre atual do modo serrista de conduzir a campanha e definir o nome de seu parceiro de chapa é a expressão mais acabada do político paulista. Como sou paulista migrante, que vive em Minas Gerais, tenho um olhar caolho sobre a política dos dois Estados. Com este olhar que mira um com parte da visão no outro, vou me arriscar a sugerir um decálogo do jeito paulista de fazer política. Devo perder alguns amigos, mas nunca me acusarão de perder a piada. Vamos ao decálogo:

1) Auto-suficiência
Todo político paulista acredita que nasceu para ser governante do país. Sendo poder em São Paulo, não haveria motivos para não dirigir o país. Afinal, São Paulo é a sexta maior cidade do planeta; tinha o maior acervo de cobras do país (acabou sofrendo o maior incêndio contra o maior acervo de cobras do país); centro corporativo e financeiro da América Latina; é a décima cidade mais rica do planeta; maior população do Brasil; maior registro de migrantes; motor econômico, responsável por 1/3 do PIB nacional. Todos estes dados são ouvidos pelos paulistas desde que nascem. Imaginem o que as mães dos políticos falam para eles desde pequenos? Paulista dificilmente pensa nos outros Estados como iguais. Há, é verdade, uma ponta de inveja em relação aos cariocas, com seu charme praiano. Se um carioca tiver interesse em provocar um paulista, basta dizer que paulista trabalha para carioca poder aproveitar a praia;

2) Arrogância
A conseqüência natural de todo pensamento acima é uma arrogância espontânea de todo político paulista, independente de partido. De Maluf à Marta Suplicy, passando por Serra e FHC, todos destilam este olhar altivo, sempre mirando acima do ombro do interlocutor. Não fala com dúvida. Paulista dificilmente tem alguma dúvida sobre qualquer assunto que diz respeito ao Brasil. A fala é meio que definitiva. Afinal, o Estado sempre deu certo. Há, em toda fala de político paulista, algo de pensamento linear do antigo conceito de progresso. São Paulo, evidentemente, estaria na linha final do progresso. Todos outros Estados estariam abaixo do ranking, tentando chegar ao que São Paulo já é;

3) Ética do Sucesso
Até aqui, político paulista parece uma ave de rapina, olhando fixo para sua presa. Mas é aparência. Paulista sofre consigo mesmo. Ele é seu principal inimigo. Todo paulista procura o sucesso. Sem sucesso é visto como fracasso. Não há meio termo. É fundamental que seja o primeiro em algo. Daí político paulista ter sido sempre o primeiro a construir ou criar algo. O sofrimento é atroz porque é preciso assistir todos os filmes comentados por críticos, todos jogos de futebol transmitidos pelos canais à cabo (não vale canal aberto), fazer todas coleções da revista Caras, reproduzir sem gaguejar o obituário do dia anterior, saber os shows de rock que São Paulo sediará nos próximos cinco anos e assim por diante. Um sofrimento. Tempo é dinheiro ou sucesso. Não existe possibilidade de beber uma cerveja com um amigo depois do expediente sem que não ocorra alguma disputa enciclopédica. Mesmo que seja para discorrer sobre todas cervejas do mundo, seus diversos sabores e harmonização;

4) Disponibilidade total para a guerra
O sucesso no encalço faz do político paulista um guerreiro. Sempre está preparado para o ataque, desde o primeiro “bom dia”. A derrota, assim como para o norte-americano, é declaração de incompetência. É sofrido. Acreditem;

5) Força com pouca astúcia
Como sempre está preparado para o ataque, a força é sempre mais cortejada e valorizada por um político paulista que a astúcia. Para que, afinal, perder tempo? Trata-se da fase anterior à Maquiavel, quando os romanos acreditavam que virtú significava virilidade. Daí o jeito masculinizado de fazer política. Todo político paulista escamoteia para não revelar seu lado agressivo e guerreiro. Como escamotear é perda de tempo, não conseguem iludir por muito tempo. Não que não saibam encenar – afinal, “todo ator paulista é melhor” -, mas tem hora para tudo;

6) Estresse
Todos pontos anteriores deságuam no estresse extremo. Político paulista à altura do nome é sempre estressado, dorme pouco, memoriza todos os dados, não improvisa, está sempre atrasado (porque dá a sensação que sempre faz muita coisa importante que o atrasa), deveria comer melhor (mas não tem tempo para questões secundárias), poderia ter tirado 10 ao invés de 9,75 e assim por diante. As olheiras são um adorno que prova que é paulista da gema;

7) Ansiedade travestida de racionalidade
Todo político paulista é ansioso. Mas como bom paulista, não pode revelar este traço de falibilidade. Assim, a ansiedade ganha uma vestimenta providencial: o de racionalidade. Quem é racional não gosta de firulas. É direto, objetivo, “doa a quem doer”. Tem algo de gente que parece pouco educada, pouco afável. Não é o que parece. É ansiedade. Paulista tem que correr atrás do sucesso. E, lembre-se: assim que atingir o sucesso almejado, começa nova campanha (já que o sucesso passa a subir de patamar!);

8) Impessoalidade
Tal ansiedade-racionalidade leva à total impessoalidade. Cheira a populismo e falta de tempo o sorriso. Graça ou humor é infantilismo. Perda de tempo. Dizer bom dia ou boa noite é perda de tempo. Ser delicado é perda de tempo. Seria um preâmbulo desnecessário. O foco é o sucesso. Tudo tem que ser muito prático e objetivo. Para político paulista, às vezes o fim justifica os meios. Lembrar de um nome e do passado vale a pena se leva a ganhar pontos no presente e futuro. Caso contrário, é perda de tempo;

9) Corrida contra o tempo
Por este motivo, o tempo é mais veloz para os paulistas. Sempre falta tempo. E o trânsito ainda ajuda a potencializar esta sensação. A conquista do sucesso (e a ansiedade) aumenta a correria. Por este motivo é sempre difícil caminhar com um paulista. Se for paulistano é quase impossível. Em pouco tempo dá a sensação que estamos disputando uma maratona. E, às vezes, o que parece é o que é;

10) Demonstrações públicas
Por tudo o que se disse anteriormente, político paulista é o mais performático de todos brasileiros. Tudo se faz em público. Lembro de Jânio Quadros jogando o livro que Franco Montoro acabara de ler, em pleno debate na televisão. Recordo de Suplicy levantando o cartão vermelho no Senado. Até o ataque ao adversário do mesmo partido tem que ser performático. Porque é preciso que todos saibam do poder que se tem. O político paulista até sabe que não seria bom revelar o quanto é agressivo e competitivo. Mas não consegue se conter. É por demais saboroso o gosto da vitória.

[off] PSDB e o cheiro do povo

12/04/2010

Há algum tempo tenho lido e ouvido que Lula e o PT estão dividindo o Brasil. Alguns dizem ser entre sudeste e nordeste, outros entre pobres e ricos. A maioria, aqueles que não entendem que a luta de classes é um dado concreto e não uma criação de ‘marxistas revolucionários’, veem isso como um problema para o Brasil.

O historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, por exemplo, diz  – em uma análise feita ao jornal Valor Econômico – que “… o lulismo divide o país em norte-nordeste e sul.”

Os tucanos, por seu turno, ao lançarem a campanha de Serra à presidência dizem que “… um governo deve sempre procurar unir a nação. […] ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres“.

Pois bem, eis que as máscaras caem e a verdade é desnudada justamente nos momentos que antecedem o discurso de Serra, do qual pincei – e grifei – os trechos acima. Fiquem com o que diz Eliane Cantanhede, no Encontro do PSDB:

Isso mesmo, é isso o que vocês ouviram, segundo Cantanhede o PSBD é o partido da ‘massa cheirosa’. O PT e os outros devem ser, então, os partidos das ‘massas fétidas’, ‘podres’…

Fiquemos então, para não nos alongarmos em um OFF, com o que diz o deputado federal Brizola Neto, sobre o discurso de uma das mais influentes representantes do tucanato na mídia nacional:

“Catenhede diz que ‘até parece que o PSDB está virando um partido de massas, mas uma massa cheirosa’. Inevitável a comparação com o sincero General João Figueiredo que, no final dos anos 70,  disse preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo. Os tucanos deviam tomar cuidado com esse cheirinho bom, até pelos precedentes. O Brigadeiro Eduardo Gomes – ‘é bonito e é solteiro’ – se acabou quando um deputado do PTB paulista. Hugo Borghi,  acrescentou ao slogan: ‘e não quer voto de marmiteiro’.”

Tirem suas própria conclusões. Será mesmo que é o lulismo, o petismo e os ‘marxistas revolucionários’ que dividem o Brasil? Ou será que são os ‘cheirosos’ que querem e fomentam essa divisão?

[off]Política

23/03/2010

TOMA QUE O TERRENO É MEU

Por: Marco Antonio Araujo, o Provocador.

Vamos combinar um negócio? Vou invadir o quintal da sua casa. Não vou pagar nada por isso. Também vou proibir sua família de entrar na área. Para garantir, vou colocar cerca em volta, com seguranças. Depois de anos, porque eu sou bonzinho, vou devolver o pedaço. Mas só se você me agradecer por isso. Está bom assim?

Foi essa a imagem que me veio quando soube que a Rede Globo “doou” um terreno para o governo do Estado de São Paulo construir uma escola técnica. Li isso no portal Comunique-se, voltado para profissionais de comunicação. “Doou”. Doeu. Deu o que não era dela! Quer dizer então que não devolveu! Cara de pau!

Para quem não conhece a história, é rapidinho: a Globo incorporou ao seu patrimônio um terreno público de quase 12 mil metros quadrados, avaliado em mais de R$ 11 milhões. A área fica contígua ao prédio da emissora no Brooklin, em São Paulo. Terrenão.

Era uma praça. Virou pista de cooper exclusiva aos funcionários da emissora. Ninguém podia frequentar o lugar. Tinha grade e vigilância 24 horas. Apropriação indébita. Invasão, se o MST se atrevesse a fazer algo parecido. Caso de polícia.

Houve uma gritaria, claro. O povo não é bobo. Conversa vai, conversinha vem, semana passada a Velha Senhora assina um convênio com o Serra e posa de bacana. Detalhe: a tal escola vai formar profissionais de quê? De multimídia, áudio e vídeo. Quanta generosidade!

Aí vou no site da Globo e vejo que o terreno “é propriedade do Estado”. Então confessaram o crime?! Invadiram a área esses anos todos. Para uso particular e mesquinho. Sem gastar um centavo. Socorro! Cadê o Ministério Público? Hein?

Não vão ser punidos por isso? Não, não. Vão ficar olhando para nossas caras de patetas esperando que a gente diga obrigado, obrigado. Ah, vá. Chama o ladrão! Chama o ladrão!