Posts Tagged ‘Vergonha’

Alô diretoria!

01/04/2013

Na linha de dar voz aos jovens Palestrinos eis mais um deles. Hoje é o Felipe Duchene manda seu recado à diretoria.

Diretoria,

Eu e todos os torcedores estamos cansado de ver o time como está, precisamos de novos jogadores com mais técnica e vontade!

A Sociedade Esportiva Palmeiras é um clube muito grande, com muita tradição, história, glórias e títulos para estar vivenciado a situação atual!

Nossa torcida, acostumada a festejar com títulos e grandes vitórias, atualmente está chorando com placares adversos como foi a goleada que sofremos do Mirassol e com partidas sofridas e ruins!

PRECISAMOS de jogadores que representam o Palmeiras dentro de campo, mostrando vontade, dedicação e que honrem a camisa com orgulho e com títulos!

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Palavra das crianças I

28/03/2013

Mais um texto de um Palmeirense, esse também com treze anos, 13.  Agora o Guilherme Duchene dará o seu depoimento sobre esse momento.

O que dizer da derrota do Palmeiras para o Mirassol por 6×2?

Bom, não tenho nem palavras pra fala sobre a derrota do Palmeiras, mas vou tentar.

Com a grandeza que tem o Palmeiras, com mais de 15 milhões de torcedores, não pode tomar uma goleada assim, do jeito que foi, para o time que nem na serie B do brasileiro está.

Em 13 anos que estou vivo vi o Palmeiras ganhar um paulista e uma copa do Brasil, mais nada. O resto foi só zuacão de amigos bambis, gambá etc.

E as contratações? Ainda não vi nenhuma boa. E o que dizer da troca do Barcos por uns caras sem futuro nenhum no futebol?

E o que dizer do Paulo Nobre que enquanto o Palmeiras tava perdendo pro Mirassol estava em Londres tirando fotos com jogares?

Pra fala mal da torcida organizada ele fala no dia, na hora, mas na hora de falar do time ele não fala.

E o Valdívia que está a 100 jogos fora, o Paulo nada fala, enquanto o Palmeiras ta jogando ele se diz “machucado” e fica indo pras baladas e enchendo a cara.

Com sua grandeza o Palmeiras que estava acostumado a nos dar alegrias, nos últimos anos não está dando nenhuma QUEREMOS JOGADOR QUE HOERREM A CAMISA!!!

 

Resgatemos o Palmeiras, não para a gente, mas pelo menos para os meninos(as).

Palavra das crianças

28/03/2013

Eis o desabafo de uma criança, de um menino Palmeirense de treze (13) anos. Ou cuidamos do Palmeiras ou perderemos essas crianças:

Não sei o que acontece. Gente, perdemos de 6 X 2 do Mirassol, pelo amor de Deus, isso jamais deveria ocorrer na nossa história. Agora isso só vai ser mais um motivo de zoação para nós e vai ser uma mancha enorme na história do Palmeiras.

Realmente vocês devem tomar uma atitude. Tenho 13 anos e gostaria de ver um dia pelo menos um time como vocês viram de 92 a 99. Mas, hoje sei e tenho plena consciência de que vai demorar muitos e muitos anos para o Palmeiras voltar a vencer como era em 93, 94 e etc…

Tá ai o que eu penso.

Palmeiras o nosso sentimento nunca irá se acabar.

(Bruno Borghese)

Não preciso dizer mais nada.

O pesadelo do “ano que vem”!

18/03/2013
Por: Vinicius Borghese (@viniborghese)
Recuso-me a escrever qualquer coisa sobre o jogo, o time ou o treinador. Apenas lembrar que cobraram R$ 80 o ingresso para a torcida visitante em um dos piores estádios que existe e nossa Diretoria nada fez a respeito… segue o jogo…O que me motiva a escrever são 15 milhões de torcedores da SEP.

Somos poucos os envolvidos no clube politicamente ou que tem contatos para saber a REAL situação financeira do clube, os demais torcedores buscam informações na imprensa em geral. O que se lê é o mesmo conteúdo em palavras diferente:

A SEP NAO TEM DINHEIRO, vamos conter despesas, montar um time dentro das possibilidades e no ano seguinte… aliás este termo “ano seguinte” é o pesadelo de todo Palestrino. É a certeza de que mais um ano irá passar e nada vai acontecer.

Assistimos calado ás primeiras decisões da Diretoria, demissões, empréstimo de jogadores e a venda do ex-camisa 9. A venda do ex-9, seria um ótimo negocio desde que fosse concluído como o prometido, vai ele, vem cinco, caso o 5º não venha uma bela quantia em dinheiro e parte do passe do ex-9… não veio outro 9, nem dinheiro e não se fala mais no assunto. O resultado assistimos ontem, o ZAGUEIRO cobrando pênalti.

A política do “bom e barato” parece só funcionar para o Palmeiras, vemos clubes falidos contratarem jogadores de nível e a SEP sempre no “ano seguinte…”.

Quem vive o dia a dia do clube pode até entender e assimilar atitudes e contratações, mas somos muito maiores que isso, somos 15 milhões que não ligam para a dívida, para a obra, para o déficit do tênis, basquete ou qualquer outro esporte amador.

Somos 15 milhões que queremos um time descente, atitudes descentes, e o RESPEITO de volta!

RESPEITO com o torcedor que comparece todo jogo, organizado ou não, sendo o jogo em casa ou não. O TORCEDOR é seu MAIOR PATRIMONIO, não crie mais brigas ou intrigas:

COLOQUE UM TIME Á ALTURA DA SEP EM CAMPO!

A ficha da serie B ainda não caiu, não saiu à tabela, estamos disputando todos os campeonatos, quando só nos restar este time medíocre e a serie B… ah é verdade….”ano seguinte….”.

Nostra Forza!

Por que tanta certeza em relação à honestidade da arbitragem nacional?

17/10/2012

Não costumo dar voz nesse espaço a nenhum representante da mídia tradicional, mas dessa vez – por conta de que estamos falando sobre isso há anos – sou obrigado a reproduzir um artigo do Gian Oddi, escrito no ESPN.COM.BR.

Fiquem com ele..

“Não houve má intenção. A arbitragem brasileira é só incompetente”.

A frase virou praticamente um mantra em programas esportivos, e eu mesmo provavelmente já repeti a expressão algumas vezes.

Mas, parando para pensar, o que nos garante? O que nos permite repetir, com tanta convicção, que os inúmeros erros cometidos pelos árbitros no Brasileirão não são, em parte, premeditados?

A lisura da CBF? A seriedade com que o futebol brasileiro é tratado pelos órgãos por ele responsáveis? O incontestável sistema de seleção de árbitros?

Não há motivos para confiar tão cegamente na honestidade da arbitragem nacional. 

Ok, sua incompetência é incontestável. Mas isso não nos permite afirmar, com a convicção que se tem afirmado, ser absurdo pensar em premeditação.

Em 2005, quando os erros de arbitragem já ocorriam em abundância, o discurso não era diferente do atualíssimo “é só incompetência”.

Pois bem: o Campeonato Brasileiro daquele ano teve 11 partidas anuladas porque ficou comprovada a desonestidade, a premeditação e a má intenção de um dos árbitros do torneio, Edilson Pereira de Carvalho.

Não parece que, de lá pra cá, as coisas tenham mudado tanto no futebol brasileiro.

Sem provas, é absolutamente leviano e irresponsável fazer qualquer insinuação em relação aos erros de fulano ou ciclano. Até por isso não escrevo esse texto logo após uma rodada ou um específico jogo polêmico. 

Mas, diante de tantos e repetidos erros, é preciso desconfiar. E investigar. 

Antes disso, veredictos de absolvição sobre premeditação são tão infundados quanto veredictos de culpa.

Uma imagem vale mais que mil palavras…

17/09/2012

Porrada nessa canalha. Seja em jogador ou dirigente!

Chega Felipão!

23/04/2012

Nunca achei o Felipão um estrategista, pelo contrário, seus times – via de regra – vencem na bacia das almas, jogando feio, com sistemas de jogo bastante simples.

Também não acho o atual técnico do Palmeiras ultrapassado, mesmo porque o sistema adotado por ele no Palmeiras é idêntico ao jogado pelo São Paulo – só para ficar nesse exemplo – nos três últimos títulos ganho pelo time Leonor com Muricy Ramalho no comando.

O sistema adotado por ambos podem não agradar as pessoas, porém não dá para dizer que ele não exista e que é ultrapassado.

Já me indispus com vários amigos na defesa da Felipão. Para muitos amigos meus – a maioria, diria – o Palmeiras tem que jogar com menos volantes, ser mais ofensivo, jogar bonito. Tenho uma visão diferente do futebol. Para mim pouco importa se o time joga com um, dois ou dez volantes, o importante para mim é que os que lá estão honrem a camisa que estão vestindo e que o time faça o simples: vença os jogos, ganhe um campeonato ou outro.

Para mim teríamos um time vencedor com um comandante estilo Luis Felipe Scolari. Felipão sempre primou por ser duro com os boleiros dentro de campo, mas conseguia uni-los em torno de um ideal: vencer; construindo times, famílias. Essa, para mim, a maior falha de Felipão, ou seja, naquilo que ele é bom ele falhou. Dessa forma, não há mais – em minha opinião – a necessidade de manter Felipão à frente da coordenação técnica do Palmeiras.

Não questiono o comandante do Palmeiras por seu salário, não questiono pelo time jogar feito, não o faço por conta da falta de sistema de jogo (mesmo porque ele o tem). O cobro por falhar na montagem de equipes com alma, que lutem e honrem nossas tradições. Nisso, na falta dessa família, desse time, ele falhou ontem e vem falhando desde o ano passado. Ou alguém acha que aquela derrota humilhante para o Coritiba foi normal?

Meu pai, ao final de 2009 (o ano que insiste em não acabar) me disse que aquele elenco deveria ser todo demitido, pois não se perde um campeonato daquela forma se não há ‘igrejas’ no elenco. Para ele até Marcos deveria ter saído (se vocês acham que eu sou corneta é porque não conhecem meu pai).

Pois bem, exageros de meu velho à parte, aquele elenco deveria ter sido desmontado mesmo. Mas, porque estou falando daquele elenco? Falo porque esse atual elenco tem muitos jogadores remanescentes daquele fiasco contra o Coritiba e deveria, na época, ter sido desmontado também.

Bem, minha opinião é a seguinte: que a diretoria demita o atual treinador que vem falhando naquilo que tinha de melhor, e que haja uma reformulação nesse elenco a começar pelo atual guarda metas.

É inadmissível que sempre que aconteça um momento de decisão ele falhe. Foi assim contra o SCCP na semi do ano passado, foi assim ontem por três vezes. O bom goleiro é aquele que mesmo falhando assume seu erro, dá a volta por cima e no mesmo jogo – se preciso for – vai lá e resolve a parada. Pois bem, nosso guarda metas é tudo isso ao contrário, pois ele falha e se desestabiliza, levando insegurança para o restante do time.

Estou dizendo que a culpa da eliminação é do Felipão? Sim, Felipão é o culpado por todas as nossas eliminações, porque nelas – a maioria – tem um fator determinante: a falta de comprometimento do time. Não falta de futebol, mas de comprometimento com a causa.

Estou dizendo que a culpa da eliminação é do Deola? Sim, porque como eu disse é inadmissível que um time com a história do Palmeiras, e que conta com a tal ‘escola de goleiros’, tenha em sua meta um cara que falhe constantemente, que não saiba sair do gol, que se desestabilize à primeira falha. Não, não irei chamá-lo de Horácio, pois até isso já está ficando chato.

Poxa, dirá o amigo leitor, mas só o Felipão e o Deola? Não, meu caro leitor, o time todo, mas esses dois são o que de mais representativo temos dos últimos fracassos de nossa equipe: um que falha dentro e outro que falha fora de campo. Por mim haveria, como já disse, uma reformulação total do elenco. Aliás, deveria haver uma reformulação total do Palmeiras, a começar pelos nossos dirigentes.

Por fim, na quarta-feira teremos a sequência da Copa do Brasil. Primeiro jogo no Paraná e depois um jogo aqui, pelo jeito na Arena Barueri, por pedido de nosso técnico, pois – segundo ele – o Pacaembu não é nossa casa, e os jogadores e a comissão técnica não se sentem bem lá. Sobre isso tenho a dizer o seguinte ao senhor Luis Felipe Scolari: quem não se sente bem no Pacaembu, aliás, quem não se sente bem em cancha alguma ultimamente é a torcida do Palmeiras, por conta desses jogadores e dessa comissão técnica.

Chega Felipão!

Fora Deola!

Sobre a homofobia [3]

28/01/2012
Mais um texto republicado do VaiParmera!

O Palmeiras (e o mundo) que queremos.

 Por Luiz Fernando Moncau

Na última semana, através de uma série de textos de colaboradores convidados, o blog VaiParmera insurgiu-se contra a homofobia no futebol, no Palmeiras, em toda nossa sociedade. Quatro excelentes textos (de Marcelo Marchesini, Rodrigo Savazoni, Leandro Beguoci e Tiago Soares) ocuparam este espaço para chamar a atenção para os caminhos que estamos trilhando, de certa forma indagando: para onde queremos seguir?

E algumas respostas vieram à tona. Os textos de Leandro Beguoci e Tiago Soares demonstram que, como palmeirenses, adotar a homofobia como lema significa abrir mão de alguns valores fundantes da nossa sociedade. Significa dedicarmo-nos às picuinhas e ao ódio ao invés de abrigarmos aqueles que podem e querem doar seu esforço em nome da nossa causa: um Palmeiras grande!

Os textos de Rodrigo Savazoni e Marcelo Marchesini, por outro lado, apontaram para o falta de democracia em nosso clube e na nossa sociedade, mostrando a indignação contra a atitude daqueles que, ao estender a faixa “a homofobia veste verde”, fizeram do futebol e do Palmeiras protagonistas de um deprimente teatro de exclusão e discriminação.

Nós não aceitamos! A história do futebol brasileiro, que foi palco de tantos preconceitos e que continua batalhando para superar a discriminação racial para constituir-se como potência que extrai parte de sua força justamente da inclusão de negros e mulatos (ver José Miguel Wisnik – “Veneno Remédio: o futebol e o Brasil” e Mário Filho: “O negro no futebol brasileiro”), também não deve aceitá-lo.

O Palmeiras não é um clube racista, e nossa torcida, direção e jogadores não deveriam sê-lo. Por isso, como torcedorea, não podemos calar diante da odiosa faixa homofóbica. Porque se no fundo dos nossos corações existem múltiplos preconceitos (e existem diferentes preconceitos em cada um dos corações), é preciso ter sabedoria para encará-los e suoerá-los. Porque a história do nosso clube, não merece essa nódoa.

Ao acompanhar os comentários feitos neste e outros blogs que também se insurgiram contra a infeliz manifestação, entretanto, restou claro que o assunto ainda precisa ser muito discutido. E é bom que seja.

Nesse sentido, a faixa homofóbica, apesar de odiosa, cumpriu um importante papel: colocou o tema da homofobia em debate, ao invés de jogá-lo para debaixo do tapete. Trouxe para dentro da mídia palestrina, ecoando no twitter e nas redes sociais, uma discussão sobre o preconceito no futebol e na sociedade. Cada palmeirense, diante da iminente contratação de Richarlyson e diante da lamentável manifestação de alguns torcedores, foi obrigado a olhar para dentro de si e se perguntar: será que preconceituoso? Eu aceitaria um gay no meu time? E diante de toda a discussão, agora pode também se perguntar: qual a conduta que espero do meu clube numa situação como essa? Eu, que faço parte da comunidade que determina o rumo da Sociedade Esportiva Palmeiras (sócios, torcedores, conselheiros), quero torcer por um clube que aceita a discriminação e o preconceito?

Nós não queremos! Queremos construir um clube progressista. E por isso levantamos e levantaremos sempre nossa voz. Queremos um Palmeiras forte e que esteja olhando para o futuro. Não um Palmeiras expressão do atraso. Queremos contribuir, através do futebol, para um mundo mais justo, humano e sem preconceitos fúteis e tolos, fruto do nosso próprio medo e covardia. Na minha opinião, nossa direção devia fazer desse episódio um aprendizado. Devia gritar para todo mundo ouvir, que o Palmeiras possui uma política de não-discriminação. Que aqui é Palmeiras e este tipo de abuso não tem lugar. Que aqui é Palestra, e continuamos sendo uma força do progresso. Que nós somos pioneiros, como sempre fomos.

A torcida palestrina que compreende nossa história deve lutar por isso. Dizer não à homofobia, é só uma das atitudes os que ergueram este clube esperam de nós.

Sobre a homofobia! [2]

20/01/2012

Mais um texto reproduzido do blogue VAIPARMERA! sobre o tema da homofobia no futebol.

A Tolerância Veste Verde

Por Tiago Soares

O quarto texto da série “Contra a Homofobia no Futebol” – Por Tiago Soares

Uma das primeiras coisas que te ensinam ao ser palmeirense é que “o Palmeiras é o time dos imigrantes italianos que se afirmaram contra a adversidade”. E que é o clube que construiu tudo que tem, que nunca ganhou nada de mão beijada. Que é o time que acolhe gente vinda de muitos lugares.

É o time do imigrante, o time do estrangeiro. O time do outro. Porque o estrangeiro não é definido apenas por fronteiras riscadas em mapas e distâncias geográficas. Ele é também a diferença em jeitos de viver a vida e entender o mundo. É o sujeito que está imerso em outras culturas e costumes, que no Palmeiras encontrou, sempre, uma comunidade a abrigá-lo sem se importar com a diferença.

E o Palestra Itália que acolhia operários italianos da cidade e da lavoura foi generoso, também, aos japoneses e árabes e a toda gente dos cantos do Brasil e do mundo. Unidos em sua diferença, inventando o novo. Não à toa, “o Palmeiras é o time do pioneirismo”, te explicam também.

Mas existe uma lição que, essencial, às vezes parece pouco ensinada. Porque, ao se inventar como o espaço dos imigrantes, como ferramenta para o diálogo com a nação e a cidade que os acolhia apesar de todas as diferenças, o Palmeiras se funda, acima de tudo, como um exercício de tolerância.

O torcedor palmeirense que bate no peito para dizer que algum preconceito – qualquer um – “veste verde” joga contra sua história. Porque o preconceito é um valor absoluto, e quem o celebra age exatamente como aqueles que, no começo do século passado, o celebravam contra os imigrantes e tudo que o então Palestra Itália representava.

Há quem diga que os que agem assim são apenas zelosos pela tradição, que alguns apenas preferem que as coisas se mantenham mais próximas dos costumes de sempre.
Quem fala isso esquece que a tradição é uma referência, um conjunto de coisas guardadas de sua história que te ajudam a saber de onde você veio e para onde quer ir. Prefiro acreditar que a tradição do Palmeiras são o acolhimento, a lealdade, a coragem, os valores que emergem de tudo que fez em sua história.

Ao transformar a tradição num estilo de vida submetido a práticas e costumes fora de lugar, os torcedores que embaralham preconceito e conservadorismo se aproximam dos que, dentro do clube, confundem sua administração com falta de democracia e mesquinharias. Daqueles que, embora se enxerguem palmeirenses, parecem não ter ideia do que isso significa. Porque muitas coisas vestem verde em nossa história. E a tolerância é uma das maiores delas.

Sobre a homofobia!

18/01/2012

Durante os próximos quatro dias reproduzirei textos sobre o tema homofobia, a propósito de uma faixa intitulada: “a homofobia veste verde” que apareceu em uma manifestação de parte da torcida do Palmeiras.

Os textos foram originalmente publicados no blogue VAI PARMERA! (agradeço ao editor por ter me autorizado a reprodução).

Ao final tecerei meus comentários sobre o tema, pois não posso me furtar de dar minha opinião sobre essa odiosa forma de preconceito, mas só ao final…

A tal faixa, apesar de ter aparecido nos meios de comunicação (e também por isso) não será reproduzida aqui.

Fiquem com o primeiro texto!

 

Ser homofóbico é ser antipalmeirense

Por Leandro Beguoci

Times de futebol são um jeito de ver o mundo. Ninguém se apaixona por um time por causa das cores, dos títulos ou do endereço. As pessoas se apaixonam porque ele expressa valores, idiossincrasias e até manias com as quais elas se identificam. Tem time que vende a imagem de time das maiorias. Tem time que gosta de parecer diferenciado. E tem time que se tornou um gigante singular porque criou um jeito de jogar bola (a Academia), um tipo de torcedor (o corneteiro) e um novo tipo de time: o time que matou o preconceito e inaugurou o mérito.

Por isso que a manifestação de alguns torcedores durante protesto da Mancha Verde, dizendo que a homofobia veste verde, é antipalmeirense, fundamentalmente antipalmeirense. Proclamar que um palmeirense é, por definição, um preconceituoso é ir contra tudo que o Palmeiras é e representa. Colocando a seco, aqueles torcedores disseram: se Messi e Cristiano Ronaldo forem gays, eles não podem jogar no Palmeiras. Tem algo mais antipalmeirense do que isso? Eu não conheço.

O Palmeiras nasceu como um time de colônia – da colônia italiana. Mas não apenas isso. Nasceu como o time da colônia que, naquele começo do século 20, era suja de graxa, de cimento e de banha de porco. Da colônia que não tinha dente na boca, que comia com a mão e que mal falava português. Da colônia que era a ralé da ralé: no começo do século 20 só tinha algo pior do que ser negro em São Paulo, que era ser italiano. E ao ser fundado por uma colônia e se expandir além dela, o Palmeiras concentrou todos os preconceitos sobre imigrantes e pobres e explodiu com eles. À medida que o Palmeiras crescia, o preconceito se escondia, encabulado, porque deixava de fazer sentido. Todas as teorias sobre “inferiores” que não podiam “alcançar a glória” caducaram. Os exemplos são fartos.

Quando os nordestinos começaram a vir para São Paulo, o Palmeiras foi um dos primeiros times do Sudeste a excursionar pelo Nordeste e a ter um ídolo nordestino, a comemorar título sobre título com jogadores nascidos fora de São Paulo. As décadas passaram e o Palmeiras quebrou a resistência contra estrangeiros e teve técnico argentino, em uma época em que as relações Brasil-Argentina não eram nem um pouco amistosas – e com ele teve momentos que marcaram a história do futebol brasileiro. Com essa vocação para inovar e coragem para aguentar todas as piadas, gozações e sacanagens (das mais inocentes às infames) que vieram junto com estas decisões, o Palmeiras foi se firmando entre os maiores times do mundo. E, não menos importante, como um time enorme, seguro de si, que podia falar: vem, preconceito, vem que aqui você não tem lugar. Aqui, no Palmeiras, vai jogar, vai mandar quem é bom.

A atitude do Palmeiras teve uma bela consequência – e não apenas para a superlotação da nossa sala de troféus. O Palmeiras ajudou a educar o Brasil. Ano a ano, pouco a pouco, o Palmeiras ensinou milhões de torcedores, com ídolos de várias cores, idades, origens, que uma pessoa tem de ser valorizada pelo que ela faz e não pela cor da pele, pelo lugar onde nasceu ou pela língua que fala. O Palmeiras cresceu mostrando que a excelência se conquista na pluralidade e no talento, não importa de onde ele venha. E vejam como as coisas se encaixam.

O palmeirense valoriza o mérito, e é só por isso que tivemos um time que é amigo íntimo do mérito: a Academia. O palmeirense valoriza o espetáculo, não aceita menos do que a excelência. É por isso que criou um tipo de torcedor exigente por natureza: o corneteiro. O Palmeiras que todos nós ansiamos ver de volta é o Palmeiras do mérito e da excelência. É uma verdade cristalina. O Palmeiras não funciona quando essas qualidades não estão muito claras – e é por isso que o Palmeiras só vence quando coloca o mérito como fundamento, como na época da Parmalat. O Palmeiras só vence quando é palmeirense. Por isso que a manifestação de prováveis integrantes da Mancha (ainda que não representem a organizada) é absurda, mas diz muito sobre o momento do clube.

Hoje, no Palmeiras, as mesquinharias estão acima do mérito. O preconceito, os ódios, os sentimentos minúsculos se instalaram no clube. A essência está lá, mas soterrada por caixas de quinquilharias de um armazém de ressentimentos. O resultado é que o Palmeiras é administrado por pessoas que se dizem palmeirenses, mas são, no fundo, antipalmeirenses. Elas deixaram a essência do clube de lado para se apegar às suas miudezas, às revanches, às vinganças caducas. Neste cenário, a manifestação homofóbica é tosca, mas faz todo o sentido.

Ainda que não tenha sido levada adiante pela Mancha, a manifestação reafirma a sensação de que a torcida organizada compartilha com os dirigentes que critica em manifestações e muros pintados uma aversão pelo mérito. É significativo que a maior torcida organizada do clube (ou alguns de seus integrantes) tenha hostilizado alguns dos nossos melhores jogadores nos últimos anos, colocando o mérito no final da fila e elegendo dedicação, vontade e, agora, homofobia como valores palmeirenses – não são. A faixa exibida no protesto do último dia 04 provém do mesmo universo mental das pessoas que acham que mais importante do que o Palmeiras são as suas pequenas vinganças, são as suas pequenas questões pessoais. A história do Palmeiras é marcada pela grandeza de caráter e pela segurança nas suas decisões. Um palmeirense não se importa com gozações – o palmeirense quer transformar “a lealdade em padrão”. Se o jogador estiver à altura do Palmeiras, um palmeirense de verdade vai bater palmas para ele independentemente da pessoa com quem ele dormir, da cor da sua pele, da sua religião, da língua que falar.

Por isso, repudiar a homofobia é ser palmeirense. Porque houve craques gays, há craques gays e haverá craques gays. E esses jogadores têm de saber que o Palmeiras estará de braços abertos para recebê-los pelo futebol que eles jogam e não vai dar a mínima para a pessoa que eles amam. Repudiar a homofobia é um dos inúmeros passos para que o Palmeiras volte a fazer jus ao que ele é.

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Acompanhem amanhã: “A Tolerância Veste Verde.”